Azar, Humor

Lei da Atração

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Retornava da academia com um amigo e decidimos fazer um tour pelo bairro, caminhando a pé para casa. Me recordo que o tempo quente e seco me obrigou a tirar a camisa e exibir meus músculos inexistentes. Porém, como num passe de mágica o ar frio cruzou conosco – prenúncio de chuva – e vi pessoas correndo.

Dei muita risada pensando no porquê carioca ter tanto medo da chuva. Na rua seguinte, avistei jornais, sacos plásticos e outros objetos fazendo coreografias no ar. Próximo a cena, um enorme papelão tentava se juntar a festa e um morador de rua erguia os braços para recuperar sua cama.

A forte ventania varria as ruas como uma enorme vassoura e seguindo seu curso nos atingiu em cheio. Meu corpo suado magnetizou todas as sujeitas possíveis trazidas pelo vento. A poeira negra vinda do asfalto me deixou bronzeado como jamais ficara.

– Ao menos o gari trabalhará menos amanhã. – comentei com meu amigo que parecia saído de uma mina de carvão. Mas a piada não foi suficiente para aplacar o mal humor do meu amigo. Weverton que é mais gordinho do que eu lembrava perfeitamente aquelas esculturas antigas de barro, com aquela barriguinha avantajada.

Logo, senti um gosto forte de canela. E subitamente, enfiei a mão suja na boca tirando vários pedaços de embalagem TRIDENT canela.

Completamente irados, fizemos sinal a alguns ônibus que não pararam, de certo achando que fossemos mendigos. Bem, o jeito foi andar os quilômetros restantes a pé.

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Reflexão

Informações Confusas

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Estava lendo na embalagem do meu teclado algo, no mínimo, curioso. Isto é, aqui diz que as teclas tem “durabilidade de 10 milhões de toques” e minha mente fértil floresceu:

“Quantas letras eu já digitei aqui?”
“Quantas palavras?”
“Quantas vezes adormeci ao PC debruçado sobre o teclado?”

É como no episódio do LOST onde imaginávamos o que aconteceria caso as pessoas não digitassem aquele número. Será que meu teclado explodirá quando eu atingir a marca?

E não menos importante: Como FUNCIONA a garantia desse troço? Como provar que digitei somente cinco milhões de vezes e o teclado quebrou? Ahhhhhhhhhhhhhhhh

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Humor, Mulheres

No Restaurante

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Hoje foi um desses dias em que tudo que eu NÃO queria era cozinhar (até mesmo porque eu não sei). Então corri para o restaurante mais próximo.

Enchi uma concha de arroz e relembrei anos atrás quando acompanhado de meu pai era repreendido: “Meu filho pegue coisas que normalmente você não come em casa.”

E logo eu devolvi pra panela todo o arroz que tinha pego, pro desespero de uma senhorinha que fez cara de nojo do meu lado. Não me fiz de rogado, peguei grão de bico, acelga, rabanete, comida japonesa (aquelas que você não sabe o nome, mas gosta da aparência e põe no prato) e claro, bacalhau – o tipo de carne que você dá cinquenta, sessenta mastigadas pra conseguir engolir um pedacinho.

Fiquei com dor no maxilar – a mesma dorzinha provenientes de tórridas noites de amor. Fiquei rindo sozinho com carne presa nos dentes. Impressionante como nosso corpo desacostuma com comida saudável, me senti pesado e com barriguinha proeminente. Pronto já fui saudável hoje! Já posso comer “aquele” hambúrguer mal passado amanhã!

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Azar, Natureza

Friozinho gostoso

originally-sang-frosty-snowman_bd5b8b7458dc381fO dia começou lindo aqui na minha cidade, fazia um friozinho gostoso, daqueles que dá até vontade de ser espremido num dos trens da SuperVia só pra ficar aquecidinho. 

Quando os primeiros pingos de chuva caíram todos os humanos perto de mim sacaram seus guardas chuva. E pobre de mim, que só pude me abrigar embaixo de uma marquise qualquer. Só sai de lá pra fazer sinal ao ônibus – que passou direto – e eu lá reclamando sozinho com o braço esticado. Ao que parou um táxi, de certo pensando que fazia sinal pra ele. A porta se abriu e me senti pressionado a entrar no amarelinho.

É uma dessas situações da vida que você fica sem graça em não obedecer. É igual quando vem aqueles sem teto no ônibus jogando uma bala com papel no teu colo: “Me ajude comprando essas balas!”. Você simplesmente ajuda.

Adormeci minutos depois que o simpático senhor ligou o aquecedor. Ainda me espreguiçava quando o taxímetro virou pra R$30 reais e arregalei os olhos!

Quanto tempo eu havia dormido?? Deu aquele aperto gostoso no coração quando lembrei que só tinha moedas no bolso. Encolhido no banco, comecei a escorregar pela cadeira apenas preso pelo cinto, ao que o motorista perguntou surpreso: “Tá tudo bem meu filho?”

Eu balançava a cabeça e repetia meu mantra: “Isso não está acontecendo, isto não esta acontecendo..” Com o motorista concentrado no trânsito, tentei abrir a porta, talvez saltar do táxi em movimento como nos filmes Hollywoodianos, mas a porta estava trancada. Só restava uma alternativa.. abrir alguns botões da minha camisa e esperar que isso despertasse algum sentimento de pena (ou tesão) no motorista. Não é possível que aquele seria o fim da minha masculinidade!

Comecei a procurar em minha mochila algum dinheiro – que eu já sabia que não tinha – mas as vezes tudo que precisamos é ocupar a mente por algum tempo. O único sorriso que eu dei aquela manhã foi quando abri a minha agenda – sim, eu ainda uso este objeto arcaico – e caiu a meus pés uma nota de R$50 reais.

Respirei aliviado.

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Humor Ácido

Peripécias nas alturas

airplane-drawingEstava com dois amigos em minha primeira viagem de avião e levamos os comissários de bordo ao delírio. Fizemos piadinhas e conversamos em voz alta durante todo o voo. Provavelmente, os passageiros rogaram pra que o avião caísse só pra terminar aquela baderna. 
O inglês mecânico do piloto se mostrou eficiente no quesito “provocar gargalhadas”. Só mesmo os educados comissários de voo não riram com medo de perder seus empregos. E quanto aos lanches servidos em pleno voo? Marcas que você NUNCA ouviu falar na vida figuravam entre as opções, aquelas marcas que ficam nas prateleiras de fundo nos supermercados. Nossas babás de voo julgaram necessário pegar as embalagens do que comemos com luvas, mas não raro vê-los socando o dedo no nariz (sem luvas) ou as “aeromoças” tirando a calcinha do rabo (com luvas).
No manual de sobrevivência é descrito como agir caso o avião despressurize e comece a cair no mar. Você deve abraçar o seu assento junto as pernas, tarefa esta impossível na classe econômica. O espaço é tão pequeno que ver os próprios pés só não é mais difícil do que sentir tesão pela Xuxa. E abraçar o assento se mostra um ‘problemão’ caso o avião caia em terra firme. O certo neste caso seria bater o assento na cabeça até desmaiar, visando uma morte tranquila. Bem, fica aí a dica para as companhias de aviação.
Ou então recomendarem que esqueçamos qualquer aparato de segurança e rezemos. Visto que ficamos tão unidos que qualquer tentativa de se salvar em momentos de pânico poria a vida de nossos colegas de poltrona em perigo. Com o avião caindo, você teria pressa em soltar o cinto e o assento, porém, no mínimo você poria a nocaute os colegas mais fracos enquanto agitasse desesperado os braços no ar.
Por sorte cheguei e voltei vivo de Vitória!
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Azar, Humor

Seu Elias

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Este domingo foi um destes fatídicos dias onde reuni forças pra sair de casa, vencendo as forças da natureza só pra ir cortar o cabelo e ficar bonitão. Meu barbeiro não estava por lá então cortei o cabelo com o seu sócio – nascido na época onde Fusca era um carro de luxo.

Mas vá lá experiência é o que conta! Esqueci desta particularidade e fiquei blasfemando contra as numerosas kombis piratas que circulavam – uma praga (muito barulhenta) típica da periferia do RJ. Falei ao vento, porque o Seu Elias sequer me deu trela. Então me calei.

O barbeiro que parecia recém saído dos sobreviventes da Segunda Guerra Mundial tinha um tique de balançar levemente as mãos enquanto trabalhava. E para alguém impressionável como eu, que assistiu Brinquedo Assassino III e quase mijou nas calças, ver aquela navalha se aproximando e se distanciando do meu pescoço remeteu-me a lembrança do Chuck cortando o pescoço de um militar no filme. Foi realmente pavoroso.

Prendi a respiração e fechei os olhos (como se o tempo fosse passar mais rápido). Devo até ter quebrado meu recorde (de 2m 15s) prendendo a respiração. E ele dizendo algo humanamente impossível :

– Fica quietinho pra eu fazer perto da orelha.

Eu não sei como não pulei daquela cadeira e dei um soco na cara daquele homem! E quando ele foi pra parte traseira do meu pescoço, eu já fui levantando e dizendo:

– Opa! Eu tenho um compromisso.. vamos deixar pra outro dia, beleza amigão?

Eu não iria contar com a sorte. O medo falou mais alto.

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Ônibus, Humor

Obra do Acaso

e4tdvak5dtxtcwb3q3yjVagava em um ônibus qualquer aqui no Rio de Janeiro absorto em meus pensamentos quando ouvi a inconfundível campainha do ônibus tocar. Movido pela curiosidade, fingi uma leve espreguiçada enquanto virava a cabeça para o lado observando quem iria descer, porém, ninguém veio. 

Sem ouvir mais sons, olhei pra trás e qual não foi minha surpresa ao perceber que estava sozinho naquela lata velha. Como já iria descer me levantei e me pus a procurar entre os bancos vazios alguma criança traquina ou algum anão querendo me sacanear.

É, eu estava mesmo sozinho… Que fúnebre! Diante do olhar inquisidor do cobrador pus as mãos ao alto e disse:

– Fui eu que toquei não, moço!

Já fora do ônibus relaxei enquanto pensava que não seria possível algum espírito em sã consciência querer assombrar um ônibus. Seria muita HUMILHAÇÃO no Reino dos Mortos.

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