Azar, Mal Humor

Saudável Torcicolo

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Hoje acordei com um torcicolo daqueles. A dor, praticamente, desaparecia quando girava e mantinha a cabeça pro lado direito.

E algo curioso acontece quando você olha numa única direção por muito tempo. No meu caso, era atraído por tudo que estivesse ao meu lado direito. E toda hora esbarrava em alguém no caminho até o ônibus. “Desculpas” pra lá, “desculpas” pra cá, foi assim meu percurso.

Fiquei sem graça quando quase arranquei a maquininha do Rio Card do ônibus com a minha cara. Mas segurei o choro. Sentado, tentei relaxar, mas foi um custo deixar minha cabeça em posição confortável. Escutei um barulho qualquer e quando abri os olhos percebi que estava quase a beijar a velha sentada ao meu lado. Aqueles beijinhos tenros na bochechinha mesmo.

Aos trancos e barrancos, cheguei no trabalho. Decidi me apoiar na parede, evitando trombar com alguém. Parecia aquelas pessoas fracas pela bebida.

Fui dispensado (sabiamente) meio dia e entrei no banheiro.
Me alonguei um pouco, tentando soltar o pescoço. Mas não ficou lá essas coisas.

Me dirigi ao mictório, horário de almoço e aquela penca de funcionário adentrando o ambiente. Tentei mudar de mictório, ir para o do cantinho. Mas não deu tempo.

Matheus olhava para o lado.
Matheus só conseguia olhar para o lado.

O rapaz da minha direita, um loiro alto me encarou e perguntou em tom ríspido, enquanto ajeitava as calças.

-Algum problema ai amigo? – e virou as costas.

Quase respondi:
“Pô amigo, eu to com um torcicolo ferrado! Tem como você fazer o favor de olhar pra ver se não prendi o zíper nele?”

Esta foi minha gloriosa manhã!

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Azar

M.A.M.A.

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Assim que estreou nos cinemas fui assistir o filme de terror MAMA – o que me garantiu saborosos pesadelos na madrugada de segunda feira.

Sempre achei que a proximidade com os trinta anos e consequentemente a experiência de vida que esta idade traz me garantiriam certa imunidade contra filmes com efeitos especiais baratos, mas não foi o que aconteceu. Fiquei mexido durante todo o filme e por vezes tapei os olhos com as mãos. Estava mais amedrontado do que os adolescentes do cinema.

Curioso que sai da sessão de cinema sem pensar no que tinha acabado de ver, eu só pensava no que comer. Entretanto, a noite chegou e com ela a hora de ir para a cama. E fiquei pensando no raio do filme e não deu outra… Tive saborosos pesadelos grande parte da noite.

A última vez que tive pesadelos tão vívidos assim foi com o filme do Brinquedo Assassino e também o filme A Coisa. Tinha até esquecido como era sonhar este tipo de coisa.

É curioso como uma cena aparentemente boba do filme, foi a que mais mexeu comigo. Não a contarei, quero que vcs se assustem também. Sou mau! hehe

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Ensinamento do Dia

how-to-clean-and-store-lettuce-headerDas coisas mais difíceis que realizei na vida, com certeza uma delas é lavar alface. Lavar uma a uma as folhas delicadamente é um desafio para as mentes humanas.

É um exercício de paciência e atenção. Tormento até mesmo para as cozinheiras mais experientes do mundo.

Deveria ser um dos ensinamentos do Mestre Miyagi no filme Karate Kid. Deixaria os outros desafios impostos ao Daniel Larusso no chinelo, afirmo.

Profetizo que o dia que inventarem uma máquina que desinfete o alface e lave-o (sem partir as folhas) nunca mais sofreremos com isto. O Invento do Século será campeão em vendas.

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Animais, Infância, Natureza

Na natureza selvagem

dark-forest-7Num dos passeios da escola, fomos a um sítio incrível, cheio de atividades, quadras de esportes e etc.. O dia se desenrolava perfeito, pois meus carrascos estavam de bom humor e não apanhei naquela manhã. Pelo contrário, estavam amistosos como nunca!

Os meninos deram a ideia de brincarmos de exploradores e mesmo diante de avisos severos dos professores, adentramos uma mata fechada nos arredores do sítio. 

Logo todos começaram a correr e eu sem saber para onde ir acabei tropeçando e torcendo o pé. Meus amigos tinham virado fumaça quando me levantei. Andando com dificuldade me vi sozinho naquela mata – aquela típica história onde você se perde do grupo e acha que será devorado por um urso ou outro animal selvagem.

Me sentei numa pedra, com a cabeça entre as pernas, orando por algum milagre. E logo ouvi o professor chamando por mim. O avistei ao longe, estava com meus coleguinhas de sala e seguranças do sítio. Ouvi resignado que seria punido. Não pude admitir o que aconteceu, pois meus amigos faziam sinal que eu apanharia se contasse algo.

Fui levado pelo braço até uma sala e fiquei de castigo. Não pude aproveitar a piscina e a sala de jogos pelo resto do dia, mas foi um passeio inesquecível.

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Humor, Infância, Natureza

Pedrinha

rr2062509201Sempre que ia visitar meus avós em Mimoso/ES, tirava um tempinho pra nadar num famoso rio chamado Pedrinha – um rio de águas turvas e correnteza mediana.

E numa dessas tardes ensolaradas, fui acompanhado de Ronaldo (meu primo) e um amigo nosso, o Hugo. Porém, mal nos aproximamos da água e o tempo virou e um vento gélido percorreu minha espinha. Antes que pensasse em recuar fui empurrado por aqueles dois, dando um daqueles shows acrobáticos em pleno ar antes de sumir na água.

Coloquei minha bermuda sobre uma pedra para secar e fiquei nadando de cueca. Algum tempo depois, fortes ventos deram o ar da graça e avistei minha bermuda sendo delicadamente arrastada de cima daquela pedra. Lembro que nadei feito um louco, mas ela “pulou” na água e levada pela correnteza se perdeu para sempre.

Estávamos longe de casa e eu não queria andar assim pela rua. Então peguei a bermuda do Hugo e vesti, obrigando-o a ir de cueca no caminho de volta – ele era o mais fraco do grupo, não tinha o que argumentar.

Ao cruzarmos uma esquina qualquer, demos de cara com um cortejo fúnebre, missa pela cidade, sei lá. Mulheres de véu negro e vela na mão iam na frente e homens carregando um caixão logo atrás. E o Hugo lá de cuequinha sendo excomungado pelas beatas. Foi muito engraçado ele tentando fingir normalidade passando no meio daquela procissão.

Quando nos aproximamos da casa de nosso amigo, não teve jeito, tive de devolver a bermuda. O coitado já tinha chorado por uma vida inteira. Então foi minha vez de ser motivo de piada tão logo subi a rua onde meu avô morava.

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Humor Ácido, Mulheres

Vagão Feminino

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Nos trens cariocas criaram um vagão especial só para mulheres. Ele é pintado de rosa, numa alusão as nossas queridas companheiras. O aviso na porta deixa claro que a entrada de homens é proibida. Mas o cartaz é desnecessário. Homem nenhum em sã consciência entraria naquele vagão.

Imaginem dezenas de mulheres falando sobre resumos de novelas, esmalte para as unhas, sobre os “gatos do trabalho”, sobre o BBB, sobre a TPM, sobre promoção de sapatos, sobre como o namorado não combina as roupas ou sobre a(s) “mocréia(s) do Facebook” durante toda a viagem. Um verdadeiro martírio. É muita futilidade para compensar uma viagem inteira num vagão mais confortável.

O que teria de homem pulando na linha férrea com o trem em movimento…

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Infância

Acrobata

acrobat-7Certa vez, fui com minha família a um parque público localizado numa praça no bairro da Tijuca/RJ. No local, famílias faziam piqueniques festejando em mais uma manhã ensolarada de domingo.

Lembro-me que tinha 18 anos e era anti social. Dificilmente saía de casa, porém, a possibilidade de conhecer um lugar diferente, me deixou bastante animado. Estava na companhia de minha mãe, minha irmã caçula e também de João – o único namorado da minha mãe que gostava. No carro, observava-os conversando e vislumbrava a possibilidade de ter uma família completa, desde que minha mãe e meu pai arruinaram conjuntamente um longo casamento.

Finalmente chegamos a praça e, realmente, João não mentira. O local era bastante amplo, super bonito e arborizado. Ao longe crianças brincavam de balanço e após recusar um sorvete, me juntei a elas. Ou melhor, ignorei-as enquanto eu mesmo me balançava cada vez mais alto. Uma criança pequena recém chegada ao parque corria a esmo e seus pais (retardados) deixaram-na se aproximar perigosamente do meu balanço.

Então, numa fração de segundos pulei do balanço (pra não matar a coitada da criança) e ainda no ar, me contorci e agarrei a pequenina caindo no chão sem um arranhão. Ainda abaixei a cabeça, evitando que fosse atingido pelo banco do balanço.

Desconhecidos aplaudiram. E eu saí da praça como um herói. Ruborizado, dei um leve aceno, sem olhar para trás. Um sorvete de morango me aguardava.

Queria saber onde essa criança (ou melhor, adolescente) está nesse momento. Será que os pais contaram a ela essa história? Jamais saberei.

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