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Ensinamento do Dia

how-to-clean-and-store-lettuce-headerDas coisas mais difíceis que realizei na vida, com certeza uma delas é lavar alface. Lavar uma a uma as folhas delicadamente é um desafio para as mentes humanas.

É um exercício de paciência e atenção. Tormento até mesmo para as cozinheiras mais experientes do mundo.

Deveria ser um dos ensinamentos do Mestre Miyagi no filme Karate Kid. Deixaria os outros desafios impostos ao Daniel Larusso no chinelo, afirmo.

Profetizo que o dia que inventarem uma máquina que desinfete o alface e lave-o (sem partir as folhas) nunca mais sofreremos com isto. O Invento do Século será campeão em vendas.

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Bala Juquinha

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Tive uma namorada que era vizinha do famoso criador das Balas Juquinha. Ele morava numa casa bastante simples – que ocupava um quarteirão INTEIRO em Praça Seca/RJ.

Os muros eram altíssimos e volta e meia algum curioso ficava parado em frente a porta principal da residência tentando ver alguma coisa pelas frestas. Durante os 3 anos de namoro eu só vi uma única vez aquelas portas se abrirem. E foi para que um comboio de carros entrasse.

Não me detive em olhar o máximo que pudesse lá dentro. Menino pobre, do subúrbio é assim. Foi como a primeira vez que fui a um shopping center.

Pessoas andavam de lá pra cá enquanto os carros estacionavam. O caseiro usava um chapéu de palha e sorrindo veio em minha direção, batendo, gentilmente, a porta na minha cara.

Naquela época, eu era bastante tímido – e me arrependo disso.
Devia ter gritado, implorado por um pacote de balas, justo a minha PREFERIDA!

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Sol e Praia

Você acorda animado(a).. com o lindo dia lá fora. Já evita sentar na frente da TV para não perder um minuto do seu feriado. Decide ir à praia, aproveitar o Sol, celebrar a vida. Mas o dia já começa com fila no banheiro, afinal, você não mora sozinho.

A fila no mercado é velha conhecida. E você puxa paciência do INFERNO para comprar o pãozinho do café da manhã.

Para entrar no ônibus você enfrenta uma fila a perder de vista. Afinal, nesta quente manhã todos os moradores do bairro também tiveram a mesma ideia que você: Curtir o sol e celebrar a vida de frente pro mar.

Sob o sol escaldante você encontra, a duras penas, um local vazio nas areias de Ipanema. Mas a sede aparece e de longe você avista todos os quiosques do calçadão com filas intermináveis.

Sua manhã já não está tão feliz quanto pensaria que fosse. E o protetor que joga nas costas está quente, pois você esqueceu dele ao sol quando foi comprar água de coco.

Parece que é só levantarmos a bunda do sofá para nos divertirmos que todo HUMANO tem a mesma ideia que nós. E como se não bastasse, todos saem de casa ao mesmo tempo que você.

É bom ressaltar, que todas essas pessoas cronometram seus horários de saída da praia. E voltam todos juntinhos.. cheios de areia pelo corpo no mesmo ônibus que os trouxe.

Depois as pessoas me perguntam porque vivo branquelo.. como se nunca fosse a praia.. Por que será, né?

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Missão Impossível

wire-cutters-2-splashHoje encarei a tortuosa missão de chegar ao final da Estrada dos Bandeirantes vivo.

Era dia de minha visita mensal a sede da minha empresa. Isso tudo embaixo daquele solzinho gostoso que todo carioca já conhece desde pequenininho. O ônibus que já estava lotado, piorou, ainda mais quando animados passageiros subiram na Cidade de Deus.

O lado bom do ônibus cheio é o aumento instantâneo do seu círculo de amizades, afinal, em segundos você já fica íntimo do colega ao lado. É uma dessas raras situações da vida em você não se desculpa por encaixar-se confortavelmente atrás de desconhecidos (e nem eles atrás de você.) Assim como na prisão, você faz amizades em segundos.

Acostumado a esses maravilhosos momentos a que todo suburbano é obrigado a encarar, saquei meu mp4 da mochila e fiquei ouvindo hip hop. Um casal de namorados permaneceu ‘encoxando’ cada perna minha e batiam papo como se eu não existisse entre os dois. Por sorte, TechN9ne realizava um trabalho e tanto me isolando daquela balbúrdia. Por vezes, tentei adivinhar o que aqueles dois diziam e formulava diálogos engraçadíssimos em minha cabeça, rindo sozinho em seguida. Felizmente, antes que minhas pernas ficassem mais dormentes, eles se afastaram. Finalmente aquela orgia terminara e os passageiros desciam do ônibus – bem, ao menos isso eu pensava.

Olhei pra trás e avistei um corredor bem delineado, aquele mar de corpos se abriu para a passagem de um branquelo suado. Não se fez de rogado e enquanto passava por nós agradecia ao motorista por tê-lo esperado em sua corrida até o ônibus. Logo senti um braço inteiro suado roçar minhas costas, foi como ser chicoteado por talibãs. De súbito, arqueei as costas e levantei os braços acertando a namoradinha do rapaz. Ouvi um som oco assim que meu cotovelo acertou sua testa. Lembro-me de tê-la visto ranger os dentes de imediato e massagear a área, como uma criança. O namorado nada fez, acho que nem viu.

Somente tive paz quando todo aquele povo de currículo na mão desceu no PROJAC – estava no Paraíso.

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O Melhor (Ou o Pior) Fora que Levei na Vida

don__t_want_you_anymore_by_d_4_rkyQuando solteiro fiz amizade com uma mulher incrível, muito inteligente e bonita. E Loira, claro!

Logo passamos a ter mais contato e a conversar bastante. E num desses encontros julguei o momento certo para revelar o que sentia. Estávamos em um shopping bastante conhecido aqui no Rio de Janeiro.

E eis que em dado momento, Aline comentou estar namorando e tudo mais.. o que me fez arquear a sobrancelha esquerda de imediato, pois sequer imaginava isso. Mas decidi seguir em frente e revelei meu interesse por ela, pontuando ao final:

-Mas eu sei que você tem namorado e isso seria errado… – disse com aquela cara de coitadinho que espera ser recompensado com um afago.

E sentada comigo na praça de alimentação ela respondeu com toda aquela naturalidade que só as mulheres tem:

-Mas não é nem por isso.. Mesmo que eu não tivesse namorando eu não ficaria com você. – E após uma brevíssima pausa, finalizou: -Humm to com uma fome, vamos comer alguma coisa?? – e abriu um sorriso daqueles que eu tanto amava.

Impossibilitado de ficar bravo, abri o menu e pedi um suco ao garçom.

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Sarada Chat Uol

 

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Há alguns anos, diferentemente dos dias atuais, a febre da internet não era Facebook ou mesmo Orkut e sim salas de bate papo hospedadas em sites famosos cá no Brasil.

Era uma época em que eu ficava acordado até de madrugada só pra ver Cine Privê aos sábados, na Band. Eu tinha quase 20 anos e era ingênuo feito um inseto. Então pra mim foi super excitante quando uma certa “Loira/Sarada/RJ” puxou conversa comigo.

Após um curto papo onde me contou do amor da sua vida: a academia, ela me convidou a falarmos por web cam no MSN. Eu todo empolgado, afinal, veria pela primeira vez alguém por vídeo e talvez, quem sabe encontrasse uma namorada.

Antes de ligar minha câmera, lembro que dei uma arrumada no quarto da minha tia Jeane, guardando debaixo da cama a tábua de passar roupas e outros objetos desabonadores – que por sinal esqueci e jamais expliquei como foram parar lá.

Quis surpreender a Loira contando orgulhoso que tinha um emprego e morava sozinho. Consciente de que estava prestes a conversar na CAM com uma sarada, decidi ousar e fiz vinte flexões (tá bom, tá bom dezoito) e alguns abdominais enquanto segurava atrás da cabeça um saco de arroz Tio João 1 kg.

Nu diante do espelho percebi, para meu desalento, que ainda continuava parecendo o Mr. Bean, então pus a camisa de volta e sentei na cadeira ofegante.

Quando minha cia ligou a web cam avistei um peitoral que faria inveja a muito marmanjos por íai e boquiaberto assisti aquele showzinho. Realmente, a loira era sarada (e põe sarada nisso) e só fui entender realmente o que era fisiculturismo quando ela virou de costas, exibindo-se. Vendo minha cara de babaca ela perguntou:

– Impressionado?
– Muito! – eu respondi!

E ela se abaixava, ela se levantava, ela balançava as pernas no ar, ela mexia nos cabelos.

-Posso te ver? – ela me pediu durante nossa conversa.

E eu desconversando, pois naquela época era maratonista e estava bastante magricela. Na décima quinta desculpa subi minha bermuda querendo encerrar aquela brincadeira. Ao que a Sarada ordenou, sem paciência:

-LEVANTA JÁ AGORA, MATHEUS!

Eu ensaiei algumas vezes, tentando parecer sensual ao que ela finalmente desistiu, me chamou de idiota e nunca mais apareceu online pra mim. Minha Paixão Platônica tinha ido embora.. para sempre.

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