Azar, Infância, Mulheres

Playboy da Depressão

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Estava aqui relembrando da primeira vez que tomei vacina antitetânica… Eu tinha 17 anos e passava minhas férias em Mimoso, Espírito Santo.

Estava empoleirado em uma frondosa mangueira no quintal do meu avô, folheando a Playboy da Cida Marques até que meu primo comentou que alguém se aproximava; era um amigo de minha irmã mais velha.

E eu naquele misto de vergonha e nervosismo pulei da árvore no intuito de esconder a revista e PIMBA cai direto sobre um prego enferrujado preso a uma madeira, que atravessou meu pé direito. Claro, fui parar no único hospital da cidade. E se você acha os hospitais públicos ruins na capital, deveria experimentar os do interior brasileiro; são ainda mais modestos. A injeção foi uma delícia e me fez gritar como um bebê.

Mas o pior nem foi isso, e sim ter perdido a minha Playboy da Cidinha. Jamais achei aquela revista. Simplesmente desapareceu aos pés daquela árvore.

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Azar, Humor Ácido, Mulheres, Natureza

Fim dos Tempos

rainynightEu nunca vou a Bangu – bairro esquecido por Deus e por mim também. Entretanto, tempos atrás encarei essa maratona por Isabela. Era ficar em casa vendo Faustão ou sair para “ver gente nova” e comer pizza na companhia agradável de minha amiga. 

Fazia um calor impiedoso aquela noite – o que me fez reclamar da ausência de um ventinho, uma brisa.. E tive minhas preces atendidas na forma de um crescente vendaval que atravessou o ônibus de lado a lado. O boné do senhor a minha frente passou raspando na minha cara e algumas pessoas, prudentemente, fecharam suas janelas. O que era para ser apenas uma chuvinha, se transformou em algo épico. Galhos de árvores chocavam-se contra a lataria do ônibus e ventos fortíssimos ameaçavam arrancar pedestres do chão. Logo, ouvimos estrondos quando transformadores explodiram e fios de alta tensão sacudiam-se no ar, como cobras venenosas.

Mulheres gritavam assustadas e os mais contidos se uniram a elas, assim que uma chuva de granizo quebrou os retrovisores e para-brisas do ônibus. No meio daquela escuridão ficamos todos aterrorizados. Uma senhora ergueu sua Bíblia e disse que o final dos tempos tinha chegado, que era o momento de nos arrependermos de nossos pecados. Foi uma orgia religiosa naquele ônibus. E o trocador repetia em resposta: “Calma gente ninguém vai morrer hoje!!” 

Um mar de água pútrida passeava pelas ruas carregando tudo que encontrava pela frente. Curiosamente, mendigos drogados e animais de rua tinham desaparecido – o que me fez pensar para onde teriam ido naquela luta pela sobrevivência. Comia furiosamente as pastilhas Valda que tinha comprado de um camelô, queria aplacar minha tosse antes do meu encontro. Por vezes, a tempestade diminuiu, mas logo as forças da natureza ressurgiam, lembrando-nos quem mandava ali. Quem não rezava, chorava copiosamente. Parecia que eu era o único adulto centrado ali.

Minhas longas pernas me ajudaram a pular todas as poças d’água no caminho até o Bangu Shopping. E me diverti sozinho pensando em como Isabela tinha encarado tudo aquilo.

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Azar, Humor Ácido, Mulheres

Dentistas – Meu Pesadelo

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Eu não gosto de dentista. Nunca gostei. Mas.. antes que todos meus dentes caíssem decidi ir numa consulta. Durante a avaliação a dentista dizia, pensativa:
– É… Esse dente… hummm – e após uma pausa: “Aqui nesse cantinho.. hummm”

Eu não sabia que aquilo queria dizer e imaginei as coisas mais diversas. Pedaços de algodão nas laterais da boca a mantinham aberta e me impediam de falar. Estava fazendo frente a beleza indiscutível do Pedro de Lara.

A dentista então foi taxativa:
– Vamos ter que usar a broca em uma cárie.

E usou. Eu aguentei o quanto pude. Tentei pensar no meu videogame, na última mulher que tinha beijado, o que eu tinha comido no almoço. Mas não consegui me distrair. De olhos fechados minha mente focava naquele barulho e me vi com a língua cortada, engasgando com meu próprio sangue.

Aquela tortura não terminava nunca. E num ímpeto erguei a mão e agarrei o braço da Dra. Silvia – que me deu um esporro memorável. Com o rabo entre as pernas fui para casa envergonhado.

Hoje em dia escovo os dentes toda semana para não precisar voltar mais ao dentista. 😀

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Amor, Azar, Mulheres, Natureza

Declaração de Amor

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Anos atrás, fazia pré vestibular para Economia no campus da UFRJ e logo me encantei por Priscila, uma loira hippie de vinte anos, super descolada e inteligente. Depois de algum tempo de amizade, decidi me declarar no jardim que ficava nos fundos do prédio onde estudávamos.

O lugar possuía uma beleza ímpar e era cheio de árvores, besouros voadores, formigas e toda sorte de bicho nojento que só um jardim possui. Mas o ponto alto era a quantidade e diversidade de borboletas que atraídas por aqueles dois visitantes vez por outra se aproximavam.

Priscila alheia a aquilo tudo acendeu um cigarro e ficamos falando amenidades. Quando senti que teria sucesso em minha aproximação, acarinhei seu cabelo e tão logo comentei que uma borboleta de asas amarelas pousara em seu ombro, Priscila deu um grito e desmaiou, caindo no meu colo. E eu magrelo que só, fiquei tentando segurar aquela menina e ao mesmo tempo não me desequilibrar do velho banco de cimento.

E o maior receio além de pensar que a paixão da minha vida tinha morrido nos meus braços, era de que alguém visse a cena e achasse que eu tinha matado-a. Tentei em vão despertá-la da dimensão que se encontrava. Todavia, um episódio do Chaves iluminou minha mente. E contrariando a Lei Maria da Penha, dei uns tapas no seu rosto fazendo-a despertar aos poucos.

Infelizmente, aquele romântico desmaio foi o contato mais próximo que tivemos. Nunca mais paquerei a moça com aversão mortal a borboletas (motefobia) novamente.

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Humor, Mulheres

No Restaurante

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Hoje foi um desses dias em que tudo que eu NÃO queria era cozinhar (até mesmo porque eu não sei). Então corri para o restaurante mais próximo.

Enchi uma concha de arroz e relembrei anos atrás quando acompanhado de meu pai era repreendido: “Meu filho pegue coisas que normalmente você não come em casa.”

E logo eu devolvi pra panela todo o arroz que tinha pego, pro desespero de uma senhorinha que fez cara de nojo do meu lado. Não me fiz de rogado, peguei grão de bico, acelga, rabanete, comida japonesa (aquelas que você não sabe o nome, mas gosta da aparência e põe no prato) e claro, bacalhau – o tipo de carne que você dá cinquenta, sessenta mastigadas pra conseguir engolir um pedacinho.

Fiquei com dor no maxilar – a mesma dorzinha provenientes de tórridas noites de amor. Fiquei rindo sozinho com carne presa nos dentes. Impressionante como nosso corpo desacostuma com comida saudável, me senti pesado e com barriguinha proeminente. Pronto já fui saudável hoje! Já posso comer “aquele” hambúrguer mal passado amanhã!

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Mulheres, Reflexão

Cabelos e mais cabelos

Muitos amigos compartilham comigo suas agruras quanto ao Universo Feminino. Taxam as mulheres de enigmáticas, inconstantes e finalizam dizendo que são um um completo mistério.

Bem, eu também as considero misteriosas, pois, até hoje não compreendi a habilidade nata que tem para prender os cabelos. Usam facilmente qualquer objeto para penteados mais simples e até mesmo para os complexos. E com uma rapidez sem igual!

E vai e prende e mexe, enrola, faz um coque, solta o coque porque não ficou bem preso e por aí vai.. E eu com aquela cara de babaca, acompanhando tudo.

Creio que as mulheres herdem este dom das mães durante a gestação ou então este conhecimento seja passado através do leite materno, visto que até mesmo crianças sabem prender os cabelo com extrema facilidade.

Por vezes fico hipnotizado, distraído por todos aqueles movimentos. E claro.. Peço igual criança: “Faz de novo??”

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Azar, Mulheres

Noite Romântica

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Numa de minhas viagens à São Paulo dormi na casa de uma namorada. Foi um gostoso reencontro após tantas semanas longe um do outro.

Atendendo a pedidos, dividi minha cama. Porém, para a minha tristeza, Camila logo adormeceu e eu segui desperto, deitado de conchinha naquela cama. Minha amante, chamada Insônia não me abandonara e dividimos os três aquela cama de solteiro.

Minha companhia interrompeu meus pensamentos ao dar um longo suspiro. Eu sorri achando que ela tinha acordado e quando ia tecer um comentário ela jogou os braços para trás, acertando em cheio minha cara com seus punhos.

De certo, desacostumada a dormir acompanhada: ela tinha esquecido que eu estava ali.

Comecei a lacrimejar após receber aquele golpe no nariz. Meu braço esquerdo estava dormente e permaneceu inerte embaixo do meu travesseiro. Coube ao direito vir à meu socorro e minha mão tocou minha face.

E a Loira? Bem, ela nem acordou. Apenas permaneceu com os braços naquela posição – o que me fez pensar como alguém conseguia dormir daquele jeito.

Foi uma noite romântica, no entanto.

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