Amor, Azar, Mulheres

Encontro Amoroso

why-do-dogs-lick-each-others-earsCerta vez, contei ao Otorrino sobre a dor de ouvido contraída após um encontro amoroso:

-Foi a saliva dela, não foi? – perguntou o médico.

Acredito que este é um problema conhecido por todos os homens, passamos por isso vez ou outra. Culpa da língua furiosa de nossas parceiras em nossa orelha.

E esta é minha dúvida:

Por que as mulheres cismam de enfiar a língua em nosso ouvido? Será esta carícia sensual? Será que acham excitante?

Não acho resposta plausível.

Apesar de não estarmos mais juntos, ainda lembro da Fernanda – essa dor de ouvido persistente não me deixa esquecê-la.

Meu ouvido esquerdo não é o mesmo desde então. Acho que a surdez não esperou a velhice para me visitar.

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Azar, Mulheres

O preferido

coxinha-de-frango-1Dias atrás fui presenteado com meu salgadinho preferido em uma das empresas em que trabalho: coxinha. 

Terminado meu atendimento fui pegar meu material de trabalho e num descuido derrubei o copo que abrigava a coxinha mesa abaixo. Deu nem tempo de pensar, apenas abaixei e fui catar aquele redondo salgado rolando o carpete. O medo, além de alguém pisar é claro, era o de que minha cliente achasse que agi de má fé com ela. Melissa era ainda mais viciada em coxinha de galinha do que eu. E sei que me presentou com o coração partido.

Por fim consegui pegar a coxinha no chão escondida perto de uma das mesas. Tentei fingir naturalidade enquanto espiava meus clientes detrás de um porta canetas. Bem, eu não podia ficar ali pra sempre como no último acidente que cometi.

Diferentemente da outra vez, desta vez não me despedi de ninguém. Apenas levantei munido de minha bolsa e sai por aquela porta de vidro – o que não teve muito sucesso. Afinal, encontrei a Loura retornando do almoço.

Nossos olhares se cruzaram.. e olhamos ao mesmo tempo para o copo com o salgadinho sujo que eu segurava. Ela tentou pegar dizendo que era desfeita minha não ter comido. Então num gesto sem pensar, peguei o salgadinho e mordi tendo, instantaneamente, a boca entupida por colônias de bactérias e fios de cabelos.

Apenas a esperei virar as costas para cuspir “aquilo” numa lata de lixo próxima. Infelizmente, descartei na lata de lixo destinada a plásticos e até hoje me arrependo; polui o meio ambiente.

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Humor Ácido, Mulheres

Vagão Feminino

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Nos trens cariocas criaram um vagão especial só para mulheres. Ele é pintado de rosa, numa alusão as nossas queridas companheiras. O aviso na porta deixa claro que a entrada de homens é proibida. Mas o cartaz é desnecessário. Homem nenhum em sã consciência entraria naquele vagão.

Imaginem dezenas de mulheres falando sobre resumos de novelas, esmalte para as unhas, sobre os “gatos do trabalho”, sobre o BBB, sobre a TPM, sobre promoção de sapatos, sobre como o namorado não combina as roupas ou sobre a(s) “mocréia(s) do Facebook” durante toda a viagem. Um verdadeiro martírio. É muita futilidade para compensar uma viagem inteira num vagão mais confortável.

O que teria de homem pulando na linha férrea com o trem em movimento…

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Bala Juquinha

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Tive uma namorada que era vizinha do famoso criador das Balas Juquinha. Ele morava numa casa bastante simples – que ocupava um quarteirão INTEIRO em Praça Seca/RJ.

Os muros eram altíssimos e volta e meia algum curioso ficava parado em frente a porta principal da residência tentando ver alguma coisa pelas frestas. Durante os 3 anos de namoro eu só vi uma única vez aquelas portas se abrirem. E foi para que um comboio de carros entrasse.

Não me detive em olhar o máximo que pudesse lá dentro. Menino pobre, do subúrbio é assim. Foi como a primeira vez que fui a um shopping center.

Pessoas andavam de lá pra cá enquanto os carros estacionavam. O caseiro usava um chapéu de palha e sorrindo veio em minha direção, batendo, gentilmente, a porta na minha cara.

Naquela época, eu era bastante tímido – e me arrependo disso.
Devia ter gritado, implorado por um pacote de balas, justo a minha PREFERIDA!

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Azar, Ônibus, Mulheres

Tiroteiro Inesquecível

bus-1Voltava do shopping Nova América quando um inesperado tiroteio teve inicio. Foi como se um diretor de cinema gritasse AÇÃO! assim que meu ônibus passou na entrada principal de uma famosa favela aqui no RJ. Tive minha soneca interrompida por gritos de terror de passageiros que caíam uns sobre os outros, como um baralho de cartas. Ser acordado por tiros ainda vai, mas por gritos femininos estridentes, aí é o fim. Fiquei de mal humor.

 Eu estava sentado nos fundos do ônibus, na janela do lado direito e os colegas que estavam ao meu lado foram se protegendo como podiam. Se não fossem as pessoas próximas amontoadas e os assentos tão próximos uns dos outros, eu também teria me protegido! Mas depois de alguns segundos, a única imagem que destoava das demais naquele ônibus, era a minha cabeça à mostra – o que me fez sentir-se a pessoa mais lerda do mundo. E pra completar, eu não tinha em quem me jogar em cima.

Naquele pânico todo tentei levantar, mas a mocinha que estava ao meu lado foi mais rápida e se jogou sobre o meu colo. Senti o seu rosto se chocar contra o meu pênis. Foi o que me distraiu no meio daquele fogo cruzado. Mesmo assim, fiquei na dúvida sobre empurrá-la do meu colo ou deixá-la ali em segurança (ao menos até que precipitasse uma ereção).

Joguei meu casaco sobre a cabeça – o que já era um alento. A ideia era de que o casaco de cor escura me tornasse um alvo mais difícil de ser alvejado. Mesmo sendo uma ideia estúpida, era tudo o que me restara aquela altura do campeonato. Não sei quanto tempo demorou até que a violência voltasse a níveis aceitáveis e aquela mulher saísse do meu colo.

Definitivamente, o tiroteio mais inesquecível da minha vida.

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Azar, Mulheres, Natureza

Nadador Nato

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Num dos passeios que fiz com a família de uma namorada, decidi mostrar meus dotes como nadador na Praia do Forte, em Cabo Frio. Avistei uma pequena ilha ao longe e decidi que nadaria até lá, pegaria uma flor e entregaria a Michele.

Mas é aquela história: A gente sempre acha que vai conseguir muito mais do que geralmente consegue… E logo notei que aquela promessa era tão vazia quanto “trabalhar arduamente para ficar rico”. Claro, na metade do caminho lá estava eu boiando para retomar o fôlego. Ainda descansava quando avistei amáveis águas vivas ao meu redor, tão numerosas quanto camelôs no Centro do Rio.

Foi ai que entendi porque apenas EU estava na água naquela manhã. De certo, ignorei aquela plaquinha lá longe fincada na areia alertando sobre o perigo iminente.

Olhei para a areia e lá estava a minha ex toda orgulhosa, batendo palminha e me mostrando para a família. Seu tio Rogério até assobiava, admirado com o meu feito. E eu com aquele grito preso na garganta: “Socorro, cara*** me tira daqui!” Mas tinha que dar uma de homenzinho e seguir para a ilha ou voltar para a areia.

Minhas amiguinhas transparentes se aproximavam, curiosas sobre aquele visitante magrelo. Algumas tocaram minhas costas e outras minhas pernas demonstrando que eu não era bem vindo ali. E aquela sensação de queimação foi o combustível extra que faltava para nadar de volta, tão rápido quanto o Michael Phelps. Ainda levei um baita “caixote” quando me aproximava da praia e entrou areia em locais que não convém falar nesse momento. De sorriso no rosto e peitoral ralado, inventei uma desculpa qualquer por ter voltado de mãos vazias.

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Animais, Azar, Mulheres

Cão que Ladra, morde SIM

22-photos-of-beagle-puppies-that-will-make-your-heart-stop-with-cuteness-beagle-puppy-runningCerta vez, uma namorada me ligou: “Meus pais não estão em casa, vem cá.” Antes que o telefone caísse no chão, eu já estava na rua, à caminho do ponto de ônibus mais próximo.

Lembro que minha ex era super preocupada com tudo (leia-se seus vizinhos fofoqueiros) e bolamos um código: antes de tocar a campainha, eu deveria jogar antes duas pedras no seu quintal para que ela checasse se a barra estava limpa. E tão logo o fiz, ela abriu o portão. De banho tomado e super cheirosa, me recepcionou com um abraço e um beijo bem demorado. Isso causou enormes ciúmes em Nina (uma fêmea de cinco anos da raça Pastor Alemão) – que me presenteou com dolorosas mordidas no calcanhar direito. Êta cadela enjoada, nunca gostei dela… E eu tentando me livrar dela, empurrando-a pro lado sem Michele perceber. Por fim, o bichano soltou e adentramos a casa.

Depois de fazermos amor no quarto, a bela morena foi fazer algo que agora não me recordo e eu fui para a sala, peladão mesmo, assistir TV. Naquela tarde, fazia frio e temendo um possível resfriado fui me aquecer. Levantei e enquanto vestia minha camisa, ouvi aquela respiração característica que os cães fazem quando estão correndo. E não sei que me deu na cabeça que eu pulei pra trás, caindo de bunda no sofá. Era a Nina vindo com tudo atrás da minha salsicha. Agi tão rápido que para vocês terem ideia do quão próximo ela estava, seu focinho gelado bateu na minha virilha. Não preciso dizer o quanto estava aliviado e assustado com tudo aquilo!

Por pouco, muito pouco não fui capado… E eu claro, briguei com Michele por ter deixado a porta da sala entreaberta.

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