Azar, Infância, Insetos

Indiana Jones

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Faço parte de uma geração que cresceu assistindo filmes do Indiana Jones; as aventuras dele sempre me fascinaram. E certa vez decidi “desbravar” uma floresta próxima a casa de meu avô em ES.

Acompanhado de um primo – que sempre topava essas maluquices, cruzamos um pequeno riacho e adentramos uma floresta em que os mais velhos costumavam caçar rãs. A cada passo a vegetação se tornava ainda mais intransponível, era um mato espesso, que por vezes prendiam nossas pernas.

Meu primo ia na frente com o canivete cortando tudo que ele considerava “planta selvagem”. Ainda assim nossa pele foi bastante castigada no trajeto. Alegres pernilongos nos davam boas vindas a todo momento. Ficamos cortados e com coceiras.

Chegamos a um campo aberto que parecia saído das planícies tranquilas e verdejantes do Senhor dos Anéis. A natureza se mostrava complacente e me senti muito bem ali.

Pessoas do interior tem mania de não repetirem a palavra “cobra” no meio do mato, dizem que traz má sorte. E claro, esquecendo-me disto, apontei um movimento suspeito a minha esquerda e falei que poderia ser uma cobra. Ronaldo começou a gritar e a correr a ermo e fui atrás dele também gritando.

Cansados, chegamos a uma clareira onde retomamos o fôlego. E incansável no quesito “fazer merda”, pulei num declive. A terra era fofa, gostosa e não me importei quando meus joelhos sumiram. Mas as passadas ficaram difíceis, pesadas. Minhas pernas foram as próximas a desaparecerem, uma reação natural a meus movimentos. Meu primo distraído com outra coisa não percebeu que eu estava sumindo. Fiquei sacudindo os braços com a “terra” plana cobrindo meu peito. A essa altura eu já tinha chamado todos os santos que conhecia. E com dificuldade meu primo me ajudou a sair dali.

Poucas pessoas conhecerão além do cinema a sensação de pavor ao serem tragadas por areia movediça. Acertadamente, jamais tornei a cruzar aquele riacho que dava acesso a mata. Aquele lugar se tornou proibido para mim.

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Insetos

FormiguinhaZ

formigas-trabalhandoQuarta passada senti duas formigas passeando por minha roupa enquanto estava num táxi a caminho do trabalho. E eram dessas formigas chatas que a gente fica com pena de matar e como agradecimento elas ficam caminhando sobre seu corpo, como se você fosse a criatura mais interessante da Terra.

Delicadamente joguei as duas intrusas aos petelecos janela afora do carro. E lá fui buscar meu fone de ouvido dentro da mochila. Acabei pegando mais algumas amiguinhas daqueles insetos, provavelmente a família toda.

– Que é esse bicho ai? – indagou-me o taxista.

– Acho que são formigas! – respondi dando a entender o que era óbvio. 

Passeei com os olhos pelo assoalho do carro e dei outra resposta mais simpática. Afinal, vai que o homem cisma e nos mata embaixo da traseira de um caminhão, não é mesmo? Carioca tem um ar insano por natureza.

Peguei todos meus pertences e coloquei no banco de trás do carro. Dava umas porradas na mochila vez por outra para as formigas caírem mais ao fundo. Com o carro em movimento comecei a sacudir a mochila com o braço pro lado de fora da janela. Me entristeci assim que caiu no asfalto o motivo de tanta festa – era o meio pacote de Cookies de Granola que tinha comprado na segunda. Me arrependi de não tê-lo comido mesmo com formigas. Aquele biscoito é ótimo!

Fiquei rindo sozinho pensando nas formiguinhas caindo ao chão agarradinhas ao delicioso biscoito: Humano filho da puuuuuuuuuuuuu…” (plaft – carro passando em cima).

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