Animais, Infância, Natureza

Na natureza selvagem

dark-forest-7Num dos passeios da escola, fomos a um sítio incrível, cheio de atividades, quadras de esportes e etc.. O dia se desenrolava perfeito, pois meus carrascos estavam de bom humor e não apanhei naquela manhã. Pelo contrário, estavam amistosos como nunca!

Os meninos deram a ideia de brincarmos de exploradores e mesmo diante de avisos severos dos professores, adentramos uma mata fechada nos arredores do sítio. 

Logo todos começaram a correr e eu sem saber para onde ir acabei tropeçando e torcendo o pé. Meus amigos tinham virado fumaça quando me levantei. Andando com dificuldade me vi sozinho naquela mata – aquela típica história onde você se perde do grupo e acha que será devorado por um urso ou outro animal selvagem.

Me sentei numa pedra, com a cabeça entre as pernas, orando por algum milagre. E logo ouvi o professor chamando por mim. O avistei ao longe, estava com meus coleguinhas de sala e seguranças do sítio. Ouvi resignado que seria punido. Não pude admitir o que aconteceu, pois meus amigos faziam sinal que eu apanharia se contasse algo.

Fui levado pelo braço até uma sala e fiquei de castigo. Não pude aproveitar a piscina e a sala de jogos pelo resto do dia, mas foi um passeio inesquecível.

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Humor, Infância, Natureza

Pedrinha

rr2062509201Sempre que ia visitar meus avós em Mimoso/ES, tirava um tempinho pra nadar num famoso rio chamado Pedrinha – um rio de águas turvas e correnteza mediana.

E numa dessas tardes ensolaradas, fui acompanhado de Ronaldo (meu primo) e um amigo nosso, o Hugo. Porém, mal nos aproximamos da água e o tempo virou e um vento gélido percorreu minha espinha. Antes que pensasse em recuar fui empurrado por aqueles dois, dando um daqueles shows acrobáticos em pleno ar antes de sumir na água.

Coloquei minha bermuda sobre uma pedra para secar e fiquei nadando de cueca. Algum tempo depois, fortes ventos deram o ar da graça e avistei minha bermuda sendo delicadamente arrastada de cima daquela pedra. Lembro que nadei feito um louco, mas ela “pulou” na água e levada pela correnteza se perdeu para sempre.

Estávamos longe de casa e eu não queria andar assim pela rua. Então peguei a bermuda do Hugo e vesti, obrigando-o a ir de cueca no caminho de volta – ele era o mais fraco do grupo, não tinha o que argumentar.

Ao cruzarmos uma esquina qualquer, demos de cara com um cortejo fúnebre, missa pela cidade, sei lá. Mulheres de véu negro e vela na mão iam na frente e homens carregando um caixão logo atrás. E o Hugo lá de cuequinha sendo excomungado pelas beatas. Foi muito engraçado ele tentando fingir normalidade passando no meio daquela procissão.

Quando nos aproximamos da casa de nosso amigo, não teve jeito, tive de devolver a bermuda. O coitado já tinha chorado por uma vida inteira. Então foi minha vez de ser motivo de piada tão logo subi a rua onde meu avô morava.

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Infância

Acrobata

acrobat-7Certa vez, fui com minha família a um parque público localizado numa praça no bairro da Tijuca/RJ. No local, famílias faziam piqueniques festejando em mais uma manhã ensolarada de domingo.

Lembro-me que tinha 18 anos e era anti social. Dificilmente saía de casa, porém, a possibilidade de conhecer um lugar diferente, me deixou bastante animado. Estava na companhia de minha mãe, minha irmã caçula e também de João – o único namorado da minha mãe que gostava. No carro, observava-os conversando e vislumbrava a possibilidade de ter uma família completa, desde que minha mãe e meu pai arruinaram conjuntamente um longo casamento.

Finalmente chegamos a praça e, realmente, João não mentira. O local era bastante amplo, super bonito e arborizado. Ao longe crianças brincavam de balanço e após recusar um sorvete, me juntei a elas. Ou melhor, ignorei-as enquanto eu mesmo me balançava cada vez mais alto. Uma criança pequena recém chegada ao parque corria a esmo e seus pais (retardados) deixaram-na se aproximar perigosamente do meu balanço.

Então, numa fração de segundos pulei do balanço (pra não matar a coitada da criança) e ainda no ar, me contorci e agarrei a pequenina caindo no chão sem um arranhão. Ainda abaixei a cabeça, evitando que fosse atingido pelo banco do balanço.

Desconhecidos aplaudiram. E eu saí da praça como um herói. Ruborizado, dei um leve aceno, sem olhar para trás. Um sorvete de morango me aguardava.

Queria saber onde essa criança (ou melhor, adolescente) está nesse momento. Será que os pais contaram a ela essa história? Jamais saberei.

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Azar, Infância, Reflexão

Pinóquio

nysqi7iiprdbpp53sl2vEm minha infância era comum surgirem pequeninas manchas brancas em minhas unhas: Você anda contando muitas mentiras – dizia minha avó. E realmente eu contava. E INFELIZMENTE as unhas me denunciavam.

Ouvi tanto isso que cresci com esta convicção. E mesmo depois de completar 20 e poucos anos ainda tinha essa ideia em mente.

Se já era difícil ficar uma semana inteira sem mentir, que dirá o mês inteiro! Mas o sacrifício para ter unhas bonitas valia a pena. Sem falar no constrangimento de ser apontado na rua como mentiroso. Ou pior, uma paquera reclamar que menti só para ganhar uns beijinhos.

Curioso que deixei de acreditar nisso sozinho. É como o Coelhinho da Páscoa e o Papai Noel – simplesmente um dia você os abandona e segue a sua vida. Mas até este dia chegar, passei vergonha por ter aquelas manchinhas nas unhas.

Mas o receio ainda existe, por isso, só conto a verdade, ultimamente. Ou tudo não passa de uma mentira? Fiquem com a pulguinha atrás da orelha!

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Azar, Infância

Ursinho de Pelúcia 

Provavelmente todo mortal já comprou algumas fichas na esperança de pegar algum pelúcia nessas máquinas. Antigamente, a ficha custava mísero R$ 1 real – hoje em dia não custa menos do que R$ 4 reais.
Em minha adolescência essas máquinas estavam no auge! E por vezes gastei o dinheiro da “merenda” nessas máquinas “engana trouxa”.

Mas era aquilo: quanto mais dinheiro eu perdia, mais puto eu ficava e consequentemente mais dinheiro eu gastava (tentando lavar minha honra). Os anos foram passando e.. meu fracasso continuou. Sou uma decepção nessas maquininhas.

Ps.: Agora pouco tentei pegar um pelúcia, ‘umzinho’ apenas e também não consegui!

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Humor, Infância

História Infantil

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Todo papai passa pela fase de levar o filhote ao banheiro de algum shopping center. Aqueles banheiros enormes, maiores do que a sua casa inteira e com aquelas fileiras de mictórios a perder de vista. E certa vez, acompanhei a cena de um pai levando o filhote para urinar. Deixou o filho no mictório infantil e ficou no seu, de adulto. O menino fez seu xixi esperto e ficou olhando para frente, como se estivesse intrigado com algo. Não tardou para que pegasse a pedra desinfetante e perguntasse ao pai o que era aquilo – enquanto sacudia a mão.

Criou-se um vácuo ao redor do menino. De certo, ninguém queria ser atingido por respingos de urinas de desconhecidos.

-Filho põe já isso aí! – foi a última frase que ouvi antes de sair do banheiro.

E a criança, é claro, chorou e esperneou por ter ficado sem aquele brinquedinho. Me divirto quando lembro daquelas mãozinhas ‘azulzinhas’!

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Azar, Infância, Mulheres

Playboy da Depressão

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Estava aqui relembrando da primeira vez que tomei vacina antitetânica… Eu tinha 17 anos e passava minhas férias em Mimoso, Espírito Santo.

Estava empoleirado em uma frondosa mangueira no quintal do meu avô, folheando a Playboy da Cida Marques até que meu primo comentou que alguém se aproximava; era um amigo de minha irmã mais velha.

E eu naquele misto de vergonha e nervosismo pulei da árvore no intuito de esconder a revista e PIMBA cai direto sobre um prego enferrujado preso a uma madeira, que atravessou meu pé direito. Claro, fui parar no único hospital da cidade. E se você acha os hospitais públicos ruins na capital, deveria experimentar os do interior brasileiro; são ainda mais modestos. A injeção foi uma delícia e me fez gritar como um bebê.

Mas o pior nem foi isso, e sim ter perdido a minha Playboy da Cidinha. Jamais achei aquela revista. Simplesmente desapareceu aos pés daquela árvore.

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