Humor, Infância, Natureza

Pedrinha

rr2062509201Sempre que ia visitar meus avós em Mimoso/ES, tirava um tempinho pra nadar num famoso rio chamado Pedrinha – um rio de águas turvas e correnteza mediana.

E numa dessas tardes ensolaradas, fui acompanhado de Ronaldo (meu primo) e um amigo nosso, o Hugo. Porém, mal nos aproximamos da água e o tempo virou e um vento gélido percorreu minha espinha. Antes que pensasse em recuar fui empurrado por aqueles dois, dando um daqueles shows acrobáticos em pleno ar antes de sumir na água.

Coloquei minha bermuda sobre uma pedra para secar e fiquei nadando de cueca. Algum tempo depois, fortes ventos deram o ar da graça e avistei minha bermuda sendo delicadamente arrastada de cima daquela pedra. Lembro que nadei feito um louco, mas ela “pulou” na água e levada pela correnteza se perdeu para sempre.

Estávamos longe de casa e eu não queria andar assim pela rua. Então peguei a bermuda do Hugo e vesti, obrigando-o a ir de cueca no caminho de volta – ele era o mais fraco do grupo, não tinha o que argumentar.

Ao cruzarmos uma esquina qualquer, demos de cara com um cortejo fúnebre, missa pela cidade, sei lá. Mulheres de véu negro e vela na mão iam na frente e homens carregando um caixão logo atrás. E o Hugo lá de cuequinha sendo excomungado pelas beatas. Foi muito engraçado ele tentando fingir normalidade passando no meio daquela procissão.

Quando nos aproximamos da casa de nosso amigo, não teve jeito, tive de devolver a bermuda. O coitado já tinha chorado por uma vida inteira. Então foi minha vez de ser motivo de piada tão logo subi a rua onde meu avô morava.

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Humor

Pai gente boa

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Ouvia música com um amigo em seu quarto quando seu pai abriu a porta exasperado:

-Meu filho, a locadora vai fechar!
-Qual o problema pai? É só ir lá levar. – meu amigo respondeu.
-Como faz pra rebobinar o DVD? Fala logo!! – disse o pai apressado.

Meu amigo nada disse, apenas deu um chute na porta, fechando-a na cara do pai.

Eu fingi que ia espirrar e não me contive: gargalhei atrás das mãos.

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Humor

Rico por um dia

does-money-alone-make-you-rich-900x600Certa vez, carreguei em meus braços, cerca de R$ 50 mil reais em modestas notas de R$ 50 reais.

Sim, meus amigos eu dei essa sorte. Mesmo que por apenas uns exíguos minutinhos. É que eu trabalhava no Banco do Brasil e num desses momentos únicos da vida, uma bancária me pediu ajuda para carregar esse montante até o cofre. Disse-me ela:

– Matheus me ajuda a carregar isso aqui.

Eu que estava distraído conversando com os outros bancários e quase desmaiei quando me virei e vi aquele monte de notas caindo dos braços daquela senhora.

E quem diz que dinheiro não traz felicidade não sabe o que diz, eu decreto.

Caminhei a passos lentos até o cofre, mesmo que ele ficasse apenas a alguns metros de mim. Queria sentir mais aquele calorzinho gostoso daquela pilha de dinheiro nos meus braços (magros) fortes.

O leitor pode estar se perguntando quem seria o dono daquele dinheiro. Bem, o dono já tinha saído por aquelas portas de vidro. Era de um General do exército.

Só não saí correndo com o dinheiro daquele banco, pois certamente seria alvejado e morto tão logo tocasse os pés fora do BB. Sim, eu estava num dos bancos em um dos locais mais seguros do Rio de Janeiro, o Arsenal da Marinha.

E só mesmo num lugar como estes para militares passearem tranquilamente com tanto dinheiro de uma só vez. Foi épica aquela tarde.

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Humor, Reflexão

Xixi Difícil

sdsNunca me acostumei com mictórios. E mesmo passados trinta verões ainda me sinto envergonhado de urinar lado a lado com desconhecidos. Por vezes, o xixi reluta em abandonar meu corpo. Não sei se pela limpeza local, quase sempre, precária ou se pela vergonha dos pênis alheios. Fato é, por vezes, fiquei literalmente com o pau na mão sem conseguir urinar.

Dia desses, no New York City Center a única vaga livre era ao lado de um senhor de idade com as calças arriadas abaixo dos joelhos. Fiquei imaginando como aquilo tinha ocorrido.. Será que foi a pressa em urinar? Ou simplesmente a calça escapou dos dedos com artrite? Enfim, lancei essa dúvida ao ar e entrei naquele espacinho. De zíper abaixado, tentava fazer a minha parte, tentava! E o pior de ficar no mictório cheio sem fazer nada é a premissa que alguém perceberá e achará que você é um voyeur gay. Pode parecer uma ideia boba, é é mesmo. Porém, de medos bobos a humanidade está repleta.

Aquele senhorzinho me fazia companhia, mesmo sem querer. E eu fazia a ele. Bem, eu achava que ele não estava conseguindo também, não quis perguntar. Pois, o banheiro ficou vazio e ainda estávamos lá.

E distraído com aquela situação inusitada, não notei que ele havia terminado. E com as calças no lugar certo, caminhava até a pia localizada no lugar oposto a que eu olhava. Sozinho no banheiro, relaxei, e fiz o meu pipi.

Ps.: Dá próxima vez eu consigo! 😡

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Humor, Mercado

Vôlei no Mercado

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Apesar de simples, poucas pessoas tem a irresponsabilidade de realizar as coisas que eu faço. Tal como a vez em que na área de artigos esportivos de um supermercado, decidi testar as bolas de vôlei com um amigo.

As bolas tomaram rumos inesperados, como por exemplo: os sacos dos “nutritivos” salgadinhos Rufles e Doritos. Petiscos aliás, associados a prática de esportes e vida saudável, sabe Deus porquê. Fato é, acertei bons saques naqueles sacos estufados das batatinhas.


Os dois vigias do mercado vez por nos chamavam a atenção – ao que o Weverton dizia: “Só vamos dar o último saque e já vamos”. E eu tentando fingir naturalidade, segurando pra não gargalhar no meio daquela conversa. 

Retornamos ao Extra algumas vezes e cada vez era mais engraçada que a anterior. Passamos a convidar as pessoas pra jogar também (mesmo que ninguém aceitasse), ensinávamos crianças e quando eu estava inspirado acertava a cara do meu amigo com a bola. 

Semanas depois, retornei a este mercado e a área esportiva tinha desaparecido. E até hoje, com o coração partido, me pergunto o porquê.

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Humor, Infância

História Infantil

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Todo papai passa pela fase de levar o filhote ao banheiro de algum shopping center. Aqueles banheiros enormes, maiores do que a sua casa inteira e com aquelas fileiras de mictórios a perder de vista. E certa vez, acompanhei a cena de um pai levando o filhote para urinar. Deixou o filho no mictório infantil e ficou no seu, de adulto. O menino fez seu xixi esperto e ficou olhando para frente, como se estivesse intrigado com algo. Não tardou para que pegasse a pedra desinfetante e perguntasse ao pai o que era aquilo – enquanto sacudia a mão.

Criou-se um vácuo ao redor do menino. De certo, ninguém queria ser atingido por respingos de urinas de desconhecidos.

-Filho põe já isso aí! – foi a última frase que ouvi antes de sair do banheiro.

E a criança, é claro, chorou e esperneou por ter ficado sem aquele brinquedinho. Me divirto quando lembro daquelas mãozinhas ‘azulzinhas’!

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Amor, Humor, Mulheres, Reflexão

Uma paquera, duas paqueras..

quickproof_benblood_5021Esta quarta almocei no MegaMatte, no Centro do RJ e aquela sensação de ser observado (que todos nós já tivemos), me dominou. Nesses casos, lanço mão do velho truque da tosse e olho em volta. Confirmei o que pressenti quando a dona de rechonchudas bochechas me cumprimentou – erguendo seu copo de suco (marcado de batom) em minha direção.

Passou algum tempo e lá estava a gordinha a me observar. Não sou do tipo Galã Mexicano, mas ela estava MESMO flertando comigo. Meio sem jeito desviei o olhar e por vezes li o mesmo anúncio de pão de queijo + mate por R$12,90 reais estampado na parede, na ânsia de terminar logo de comer e ir embora.

Entretanto, qual não foi minha surpresa ao perceber outra pessoa, um senhor de meia idade com olhos fixos em mim? A chance de um ménage à trois surgiu, porém com meus exíguos minutinhos de almoço só daria conta do recado se fosse um mágico.

Eu já não sabia mais para onde olhar e depois de engolir boa parte do meu almoço às pressas, comecei a soluçar – reação esta que eu odeio. A mocinha estava mais contida.. conversava com a amiga e quando me olhava remexia os cabelos ruivos para disfarçar a timidez. Já o gay tinha mais atitude e por vezes puxou assunto comigo – que dava respostas curtas.

Me perdi em meus pensamentos imaginando este mesmo momento – o que eu escrevo sobre isto. Só “acordei” quando a moça de bochechas róseas roçou seu traseiro no meu ombro ao sair da lanchonete. Não fosse o restaurante cheio, minha sensatez sumiria e meu lado cafajeste diria que ela fez de propósito. Me diverti com essa dualidade e sorri. Sorriso interrompido pela ideia de que o sujeito ao meu lado também pudesse fazer o mesmo, arregalei os olhos e levantei.

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