Animais, Infância

Meu Primeiro Gato

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Ainda me lembro do primeiro gato que tive na vida: era um gato preto, vira lata que achei nas ruas do meu bairro, em São Gonçalo, cidade metropolitana do RJ. Eu tinha 14 anos e morava com o meu pai e minha madrasta bruxa. Naquela época eu já tinha fascínio por aracnídeos, logo, já tinha um animal de estimação. Porém, minha madrasta dizia que aranha era um bicho nojento e que eu deveria ser como as pessoas normais que tinham cachorro ou gato.

Na noite seguinte, choveu muito e caiu granizo por toda Colubandê (meu bairro) e o destemido aqui foi resgatar um dos gatos que miavam alto naquela noite. Todavia, minha coragem cessou quando dezenas de pedrinhas de gelo chocaram-se com a minha cabeça. E dei por encerrada aquela pequena aventura. Mas, na manhã seguinte dei a sorte de encontrar uma gata preta embaixo de um carro. Ela estava bem sujinha e assustada.

Meu pai ainda dormia com sua mulher e eu fiquei na sala um longo período com as mãos no queixo olhando aquele gato. Ela com as pernas esticadas quase encostando a barriga no chão e fiquei pensando se meu primeiro gato era deficiente. Mas não, ela só estava aprendendo a movimentar todas aquelas patas.

Daí fui todo feliz acordar meu pai pra contar a novidade, sai abrindo a porta do quarto e.. peguei os dois transando! Foi uma cena engraçada: Eu segurando o gato pelas duas patas dianteiras e abrindo a porta com a cabeça e mal disse:

– Elza olha o que eu ach.. – e escutei um sonoro:
– Sai daqui filho!

Constrangimentos à parte, minha madrasta deu o nome de “Fofa” a nova membra da família Alves.

Lembro que lá em casa tinha uma pequena tv 14 polegadas, nada pomposa – raridade entre os lares brasileiros de hoje em dia. E em dias de frio, Fofa se aquecia em cima da tv e quando dormia, seu rabo caía sobre a tela. Era engraçado e irritante, ainda mais porque acabávamos perdendo as melhores cenas dos filmes. E não adiantava, a cada vez que a enxotávamos com a vassoura, a gata preta subia novamente, tão logo esquecíamos do assunto.

Ela viveu mais de uma década. E nos marcou, com certeza.

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