Amor, Animais

Yann – Meu Herói

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Voltando para casa numa noite chuvosa escutei um som (que lembrava um rato) vindo de um beco perto de minha casa e sai correndo com medo. Foi injustificado; o rato não sairia correndo atrás de mim para me molestar.

Alguns metros à frente, me detive ao ouvir com certa dificuldade algo arranhar uma caixa de papelão neste mesmo beco. Voltei para verificar.. com dificuldade achei um cãozinho preto que mal sabia andar tentando o impossível para não se afogar na poça que se formara na caixa. O coração falou mais alto e o peguei no colo.

A chuva não dava uma trégua e mesmo à revelia tirei a minha camisa e enrolei no bichano e fui correndo para casa completamente ensopado.

Após secar aquela bolinha de pelos, o coloquei no chão e fiquei andando pela sala, pensando que eu faria com aquele filhote. E o pior: o que a minha mãe acharia disto tudo.

Ele realmente não sabia andar, as patas traseiras se abriam e ele ficava com a barriguinha no chão. Isso sem falar os tombos que levava sozinho tentando se equilibrar ao explorar o meu apê.

Antes de ir pra cama, dei um banho no pequeno, deixando-o cheiroso pela primeira vez na vida. No meu quarto, o acomodei no chão. Dai fiquei com peso na consciência, imaginando que poderia pisar nele e matá-lo, caso acordasse no meio da noite. Duas horas depois, estávamos dormindo no chão forrando de jornais.

Os dias passaram e o meu mascote labrador foi crescendo…

Uma bela noite acordei sem saber onde Yann estava. Procurei até embaixo da cama, mas por fim o encontrei – estava dormindo em cima do meu travesseiro – que desde então se tornou sua caminha.

Em outras noites, adormeceu sobre meu peito nu, ouvia seu pequeno coração batendo e ele dormia placidamente sob meus olhares atentos.

Logo chegou a adolescência e com ela os maus modos. Yann passou a roer os sacos de lixo e espalhá-los pelo terraço, comer minhas roupas, comer plantas na rua (e as de casa também) e a correr entre os carros durante nossos passeios – ele realmente me enlouqueceu enquanto esteve em minha vida.

Jamais o esquecerei – Yann.

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Na natureza selvagem

dark-forest-7Num dos passeios da escola, fomos a um sítio incrível, cheio de atividades, quadras de esportes e etc.. O dia se desenrolava perfeito, pois meus carrascos estavam de bom humor e não apanhei naquela manhã. Pelo contrário, estavam amistosos como nunca!

Os meninos deram a ideia de brincarmos de exploradores e mesmo diante de avisos severos dos professores, adentramos uma mata fechada nos arredores do sítio. 

Logo todos começaram a correr e eu sem saber para onde ir acabei tropeçando e torcendo o pé. Meus amigos tinham virado fumaça quando me levantei. Andando com dificuldade me vi sozinho naquela mata – aquela típica história onde você se perde do grupo e acha que será devorado por um urso ou outro animal selvagem.

Me sentei numa pedra, com a cabeça entre as pernas, orando por algum milagre. E logo ouvi o professor chamando por mim. O avistei ao longe, estava com meus coleguinhas de sala e seguranças do sítio. Ouvi resignado que seria punido. Não pude admitir o que aconteceu, pois meus amigos faziam sinal que eu apanharia se contasse algo.

Fui levado pelo braço até uma sala e fiquei de castigo. Não pude aproveitar a piscina e a sala de jogos pelo resto do dia, mas foi um passeio inesquecível.

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Prenúncio

dustinthewind

Rajadas fortes de vento agora pouco; prenúncio de tempestade.

E vai nosso amado cronista correr ao terraço para tirar as roupas da corda. Primeiro ele pega as mais caras – as velhas e desbotadas (que são maioria) podem ser levadas pelo vento. Porém, ele é um só e são muitas as roupas.

Enfia algumas embaixo da camisa, prende outras na lateral da bermuda. As peças maiores, como calças jeans são enroladas em volta do pescoço, como um adorno bizarro. Outras peças volumosas são acomodadas embaixo dos braços – o homem não está suado para alívio do dono das roupas. Outras menores ele traz entre os dentes.

O cachorro clama por um afago, mas aquele ser que se move como um robô não tem mão para isso, ficará para depois.

Vida de pobre é assim. Cheia de aventuras!

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Animais, Azar

Festa na Vizinhança

Crowd of young boys and girls dancing at disco

Às 3 da manhã desta terça fui por o lixo pra fora – um horário absolutamente normal para quem tem insônia.

As ruas desertas conferiram um clima tétrico a meu bairro – o que fez gelar minha espinha. Mas vá lá.. eu tinha que fazer aquilo. Carregava com dificuldade aquele pesado saco de lixo da família Lopes e ao me aproximar daquela enorme montanha de detritos, escutei passos apressados e, de súbito, olhei logo em volta. E eram.. ratos pertencentes a uma ou várias famílias (não pude contar ao certo)

Na verdade, “rato” é uma palavra pequena para descrever aqueles roedores, pois, eram ratazanas enormes. Puxei uma força do inferno para lançar meu saco de lixo para seus pares e saí correndo. No caminho de volta para casa ainda cruzei com um deles e nos  encaramos durante algum tempo. Todavia, assustados decidimos ir embora: o Rio de Janeiro anda muito perigoso.

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Cão que Ladra, morde SIM

22-photos-of-beagle-puppies-that-will-make-your-heart-stop-with-cuteness-beagle-puppy-runningCerta vez, uma namorada me ligou: “Meus pais não estão em casa, vem cá.” Antes que o telefone caísse no chão, eu já estava na rua, à caminho do ponto de ônibus mais próximo.

Lembro que minha ex era super preocupada com tudo (leia-se seus vizinhos fofoqueiros) e bolamos um código: antes de tocar a campainha, eu deveria jogar antes duas pedras no seu quintal para que ela checasse se a barra estava limpa. E tão logo o fiz, ela abriu o portão. De banho tomado e super cheirosa, me recepcionou com um abraço e um beijo bem demorado. Isso causou enormes ciúmes em Nina (uma fêmea de cinco anos da raça Pastor Alemão) – que me presenteou com dolorosas mordidas no calcanhar direito. Êta cadela enjoada, nunca gostei dela… E eu tentando me livrar dela, empurrando-a pro lado sem Michele perceber. Por fim, o bichano soltou e adentramos a casa.

Depois de fazermos amor no quarto, a bela morena foi fazer algo que agora não me recordo e eu fui para a sala, peladão mesmo, assistir TV. Naquela tarde, fazia frio e temendo um possível resfriado fui me aquecer. Levantei e enquanto vestia minha camisa, ouvi aquela respiração característica que os cães fazem quando estão correndo. E não sei que me deu na cabeça que eu pulei pra trás, caindo de bunda no sofá. Era a Nina vindo com tudo atrás da minha salsicha. Agi tão rápido que para vocês terem ideia do quão próximo ela estava, seu focinho gelado bateu na minha virilha. Não preciso dizer o quanto estava aliviado e assustado com tudo aquilo!

Por pouco, muito pouco não fui capado… E eu claro, briguei com Michele por ter deixado a porta da sala entreaberta.

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Meu Primeiro Gato

wallup.net

Ainda me lembro do primeiro gato que tive na vida: era um gato preto, vira lata que achei nas ruas do meu bairro, em São Gonçalo, cidade metropolitana do RJ. Eu tinha 14 anos e morava com o meu pai e minha madrasta bruxa. Naquela época eu já tinha fascínio por aracnídeos, logo, já tinha um animal de estimação. Porém, minha madrasta dizia que aranha era um bicho nojento e que eu deveria ser como as pessoas normais que tinham cachorro ou gato.

Na noite seguinte, choveu muito e caiu granizo por toda Colubandê (meu bairro) e o destemido aqui foi resgatar um dos gatos que miavam alto naquela noite. Todavia, minha coragem cessou quando dezenas de pedrinhas de gelo chocaram-se com a minha cabeça. E dei por encerrada aquela pequena aventura. Mas, na manhã seguinte dei a sorte de encontrar uma gata preta embaixo de um carro. Ela estava bem sujinha e assustada.

Meu pai ainda dormia com sua mulher e eu fiquei na sala um longo período com as mãos no queixo olhando aquele gato. Ela com as pernas esticadas quase encostando a barriga no chão e fiquei pensando se meu primeiro gato era deficiente. Mas não, ela só estava aprendendo a movimentar todas aquelas patas.

Daí fui todo feliz acordar meu pai pra contar a novidade, sai abrindo a porta do quarto e.. peguei os dois transando! Foi uma cena engraçada: Eu segurando o gato pelas duas patas dianteiras e abrindo a porta com a cabeça e mal disse:

– Elza olha o que eu ach.. – e escutei um sonoro:
– Sai daqui filho!

Constrangimentos à parte, minha madrasta deu o nome de “Fofa” a nova membra da família Alves.

Lembro que lá em casa tinha uma pequena tv 14 polegadas, nada pomposa – raridade entre os lares brasileiros de hoje em dia. E em dias de frio, Fofa se aquecia em cima da tv e quando dormia, seu rabo caía sobre a tela. Era engraçado e irritante, ainda mais porque acabávamos perdendo as melhores cenas dos filmes. E não adiantava, a cada vez que a enxotávamos com a vassoura, a gata preta subia novamente, tão logo esquecíamos do assunto.

Ela viveu mais de uma década. E nos marcou, com certeza.

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