Amor, Azar, Mulheres, Natureza

Declaração de Amor

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Anos atrás, fazia pré vestibular para Economia no campus da UFRJ e logo me encantei por Priscila, uma loira hippie de vinte anos, super descolada e inteligente. Depois de algum tempo de amizade, decidi me declarar no jardim que ficava nos fundos do prédio onde estudávamos.

O lugar possuía uma beleza ímpar e era cheio de árvores, besouros voadores, formigas e toda sorte de bicho nojento que só um jardim possui. Mas o ponto alto era a quantidade e diversidade de borboletas que atraídas por aqueles dois visitantes vez por outra se aproximavam.

Priscila alheia a aquilo tudo acendeu um cigarro e ficamos falando amenidades. Quando senti que teria sucesso em minha aproximação, acarinhei seu cabelo e tão logo comentei que uma borboleta de asas amarelas pousara em seu ombro, Priscila deu um grito e desmaiou, caindo no meu colo. E eu magrelo que só, fiquei tentando segurar aquela menina e ao mesmo tempo não me desequilibrar do velho banco de cimento.

E o maior receio além de pensar que a paixão da minha vida tinha morrido nos meus braços, era de que alguém visse a cena e achasse que eu tinha matado-a. Tentei em vão despertá-la da dimensão que se encontrava. Todavia, um episódio do Chaves iluminou minha mente. E contrariando a Lei Maria da Penha, dei uns tapas no seu rosto fazendo-a despertar aos poucos.

Infelizmente, aquele romântico desmaio foi o contato mais próximo que tivemos. Nunca mais paquerei a moça com aversão mortal a borboletas (motefobia) novamente.

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