Uncategorized

Mudança Permanente

goodbye_heart_by_giomps-d56anf9

Este blog e todo seu conteúdo foi movido para:

Escrever Sem Parar

Anúncios
Padrão
Azar, Infância, Mulheres

Playboy da Depressão

atrair-sorte-vida

Estava aqui relembrando da primeira vez que tomei vacina antitetânica… Eu tinha 17 anos e passava minhas férias em Mimoso, Espírito Santo.

Estava empoleirado em uma frondosa mangueira no quintal do meu avô, folheando a Playboy da Cida Marques até que meu primo comentou que alguém se aproximava; era um amigo de minha irmã mais velha.

E eu naquele misto de vergonha e nervosismo pulei da árvore no intuito de esconder a revista e PIMBA cai direto sobre um prego enferrujado preso a uma madeira, que atravessou meu pé direito. Claro, fui parar no único hospital da cidade. E se você acha os hospitais públicos ruins na capital, deveria experimentar os do interior brasileiro; são ainda mais modestos. A injeção foi uma delícia e me fez gritar como um bebê.

Mas o pior nem foi isso, e sim ter perdido a minha Playboy da Cidinha. Jamais achei aquela revista. Simplesmente desapareceu aos pés daquela árvore.

Padrão
Azar, Humor, Reflexão

Meu 11 de Setembro!

tumblr_nuit24wclm1qb7eljo4_1280

” Na manhã do dia 11 de setembro de 2001, acordei e fiz o de sempre: liguei a TV. Porém, assim que o Bob Esponja foi interrompido, senti que algo estranho tinha ocorrido. Na Rede Globo repetia-se a imagem de um avião se chocando contra uma torre nos EUA.

E em minha ingenuidade cheguei a comentar em voz alta:
– Porra, filme essa hora da manhã?

Mais daí comecei a passar os canais buscando algum desenho e nada além de imagens diversas do prédio saindo fumaça. Confesso que demorei mais do que a maioria dos brasileiros a perceber o que estava acontecendo.

Foi aí que andando pela casa, tropecei em minha pasta de recortes de jornais e revistas sobre vida extraterrestre e abdução alienígena. Não era segredo para ninguém o quanto eu curtia esses mistérios do Universo. A imagem da Casa Branca sendo destruída por um laser no filme INDEPENDENCE DAY me veio à mente e saí correndo pra sala, apontei pra TV e gritei:

– Ahhh eu sabia! Eles invadiram o planeta! – Meu Deus pegaram os EUA! – disse com a mão na boca.

O pânico tomou conta de mim, afinal a maior potência do mundo tinha sucumbido perante aquele surpreendente ataque. O que me acalmou um pouco, foi saber que o Brasil não representava uma ameaça maior que uma minhoca, porém, temi pelos chineses e pela Europa, julguei que eles seriam os próximos a serem destruídos. Mas eu não era nenhum especialista em guerra. Os planos dos nossos amigos (ou inimigos) do espaço poderiam mudar.

Corri para o livro “A Guerra dos Mundos” do visionário H. G. Wells buscando alguma instrução sobre como me proteger. Eu já tinha lido e relido o livro, entretanto, o momento terrível que o planeta se encontrava pedia uma nova leitura. Minutos depois, um outro avião mergulhou na torre ao lado da que pegava fogo – e tudo se confirmou quando soube dos ataque ao Pentágono e a evacuação dos funcionários da Casa Branca.

Assustado, deixei o livro cair no chão e senti meus pêlos eriçados, uma reação natural frente o perigo iminente. Minha tese sobre ataques massivos alienígenas se fazia justificada. Liguei para a Central Globo de Produções, queria falar com algum âncora do noticiário ao vivo. Mas desligaram na minha cara TRÊS VEZES quando pronunciei a palavra “marcianos” e eu desisti. Xinguei bastante ao perceber o quanto estava sozinho e impotente.

Por fim, minha mãe me ligou e disse ter sido um ataque terrorista. Pulando pela sala estava prestes a dizer o que eu já sabia. Mas mamãe acabou com minhas esperanças ao dizer que o ataque tinha sido realizado por HUMANOS. Não é preciso dizer o quanto estava frustrado com aquela informação. Acreditei tão fortemente em algo e de repente tudo tinha virado pó.

Bem, este foi meu 11 de setembro.”

Padrão
Azar, Humor Ácido, Mulheres, Natureza

Fim dos Tempos

rainynightEu nunca vou a Bangu – bairro esquecido por Deus e por mim também. Entretanto, tempos atrás encarei essa maratona por Isabela. Era ficar em casa vendo Faustão ou sair para “ver gente nova” e comer pizza na companhia agradável de minha amiga. 

Fazia um calor impiedoso aquela noite – o que me fez reclamar da ausência de um ventinho, uma brisa.. E tive minhas preces atendidas na forma de um crescente vendaval que atravessou o ônibus de lado a lado. O boné do senhor a minha frente passou raspando na minha cara e algumas pessoas, prudentemente, fecharam suas janelas. O que era para ser apenas uma chuvinha, se transformou em algo épico. Galhos de árvores chocavam-se contra a lataria do ônibus e ventos fortíssimos ameaçavam arrancar pedestres do chão. Logo, ouvimos estrondos quando transformadores explodiram e fios de alta tensão sacudiam-se no ar, como cobras venenosas.

Mulheres gritavam assustadas e os mais contidos se uniram a elas, assim que uma chuva de granizo quebrou os retrovisores e para-brisas do ônibus. No meio daquela escuridão ficamos todos aterrorizados. Uma senhora ergueu sua Bíblia e disse que o final dos tempos tinha chegado, que era o momento de nos arrependermos de nossos pecados. Foi uma orgia religiosa naquele ônibus. E o trocador repetia em resposta: “Calma gente ninguém vai morrer hoje!!” 

Um mar de água pútrida passeava pelas ruas carregando tudo que encontrava pela frente. Curiosamente, mendigos drogados e animais de rua tinham desaparecido – o que me fez pensar para onde teriam ido naquela luta pela sobrevivência. Comia furiosamente as pastilhas Valda que tinha comprado de um camelô, queria aplacar minha tosse antes do meu encontro. Por vezes, a tempestade diminuiu, mas logo as forças da natureza ressurgiam, lembrando-nos quem mandava ali. Quem não rezava, chorava copiosamente. Parecia que eu era o único adulto centrado ali.

Minhas longas pernas me ajudaram a pular todas as poças d’água no caminho até o Bangu Shopping. E me diverti sozinho pensando em como Isabela tinha encarado tudo aquilo.

Padrão
Azar, Humor Ácido, Mulheres

Dentistas – Meu Pesadelo

dentista_jpeg

Eu não gosto de dentista. Nunca gostei. Mas.. antes que todos meus dentes caíssem decidi ir numa consulta. Durante a avaliação a dentista dizia, pensativa:
– É… Esse dente… hummm – e após uma pausa: “Aqui nesse cantinho.. hummm”

Eu não sabia que aquilo queria dizer e imaginei as coisas mais diversas. Pedaços de algodão nas laterais da boca a mantinham aberta e me impediam de falar. Estava fazendo frente a beleza indiscutível do Pedro de Lara.

A dentista então foi taxativa:
– Vamos ter que usar a broca em uma cárie.

E usou. Eu aguentei o quanto pude. Tentei pensar no meu videogame, na última mulher que tinha beijado, o que eu tinha comido no almoço. Mas não consegui me distrair. De olhos fechados minha mente focava naquele barulho e me vi com a língua cortada, engasgando com meu próprio sangue.

Aquela tortura não terminava nunca. E num ímpeto erguei a mão e agarrei o braço da Dra. Silvia – que me deu um esporro memorável. Com o rabo entre as pernas fui para casa envergonhado.

Hoje em dia escovo os dentes toda semana para não precisar voltar mais ao dentista. 😀

Padrão
Animais, Infância

Meu Primeiro Gato

wallup.net

Ainda me lembro do primeiro gato que tive na vida: era um gato preto, vira lata que achei nas ruas do meu bairro, em São Gonçalo, cidade metropolitana do RJ. Eu tinha 14 anos e morava com o meu pai e minha madrasta bruxa. Naquela época eu já tinha fascínio por aracnídeos, logo, já tinha um animal de estimação. Porém, minha madrasta dizia que aranha era um bicho nojento e que eu deveria ser como as pessoas normais que tinham cachorro ou gato.

Na noite seguinte, choveu muito e caiu granizo por toda Colubandê (meu bairro) e o destemido aqui foi resgatar um dos gatos que miavam alto naquela noite. Todavia, minha coragem cessou quando dezenas de pedrinhas de gelo chocaram-se com a minha cabeça. E dei por encerrada aquela pequena aventura. Mas, na manhã seguinte dei a sorte de encontrar uma gata preta embaixo de um carro. Ela estava bem sujinha e assustada.

Meu pai ainda dormia com sua mulher e eu fiquei na sala um longo período com as mãos no queixo olhando aquele gato. Ela com as pernas esticadas quase encostando a barriga no chão e fiquei pensando se meu primeiro gato era deficiente. Mas não, ela só estava aprendendo a movimentar todas aquelas patas.

Daí fui todo feliz acordar meu pai pra contar a novidade, sai abrindo a porta do quarto e.. peguei os dois transando! Foi uma cena engraçada: Eu segurando o gato pelas duas patas dianteiras e abrindo a porta com a cabeça e mal disse:

– Elza olha o que eu ach.. – e escutei um sonoro:
– Sai daqui filho!

Constrangimentos à parte, minha madrasta deu o nome de “Fofa” a nova membra da família Alves.

Lembro que lá em casa tinha uma pequena tv 14 polegadas, nada pomposa – raridade entre os lares brasileiros de hoje em dia. E em dias de frio, Fofa se aquecia em cima da tv e quando dormia, seu rabo caía sobre a tela. Era engraçado e irritante, ainda mais porque acabávamos perdendo as melhores cenas dos filmes. E não adiantava, a cada vez que a enxotávamos com a vassoura, a gata preta subia novamente, tão logo esquecíamos do assunto.

Ela viveu mais de uma década. E nos marcou, com certeza.

Padrão
Amor, Azar, Mulheres, Natureza

Declaração de Amor

194

Anos atrás, fazia pré vestibular para Economia no campus da UFRJ e logo me encantei por Priscila, uma loira hippie de vinte anos, super descolada e inteligente. Depois de algum tempo de amizade, decidi me declarar no jardim que ficava nos fundos do prédio onde estudávamos.

O lugar possuía uma beleza ímpar e era cheio de árvores, besouros voadores, formigas e toda sorte de bicho nojento que só um jardim possui. Mas o ponto alto era a quantidade e diversidade de borboletas que atraídas por aqueles dois visitantes vez por outra se aproximavam.

Priscila alheia a aquilo tudo acendeu um cigarro e ficamos falando amenidades. Quando senti que teria sucesso em minha aproximação, acarinhei seu cabelo e tão logo comentei que uma borboleta de asas amarelas pousara em seu ombro, Priscila deu um grito e desmaiou, caindo no meu colo. E eu magrelo que só, fiquei tentando segurar aquela menina e ao mesmo tempo não me desequilibrar do velho banco de cimento.

E o maior receio além de pensar que a paixão da minha vida tinha morrido nos meus braços, era de que alguém visse a cena e achasse que eu tinha matado-a. Tentei em vão despertá-la da dimensão que se encontrava. Todavia, um episódio do Chaves iluminou minha mente. E contrariando a Lei Maria da Penha, dei uns tapas no seu rosto fazendo-a despertar aos poucos.

Infelizmente, aquele romântico desmaio foi o contato mais próximo que tivemos. Nunca mais paquerei a moça com aversão mortal a borboletas (motefobia) novamente.

Padrão