Insetos

Chinelo da Vez

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Mais dia, menos dia uma barata entrará voando na sua casa. Eu SEI, é chato, mas… acontece! E não adianta correr para o Raid ou Baygon, pois, assim que você voltar, ela já terá sumido. E não adianta ficar triste, elas são assim: somem sem se despedir. Apenas se vão.

Daí, você busca o que tem disponível no momento pra dar cabo do bichano. E quase sempre é o velho conhecido: chinelo. O seu, claro, não será usado. Dai você sai catando chinelo da mãe, da irmã.. mas quando descobrem, você ouve:

– Tá maluco, usa o seu! Dá isso aqui!

Ninguém quer uma barata grudada no próprio chinelo. Fato! Porém, há dois dias um dos meus chinelos arrebentou e tive a brilhante ideia de guardar um. Justamente para esses momentos.

Ficará conhecido como: chinelo barata.

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Azar, Ônibus, Humor Ácido

Seu Carlos

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Tenho uma relação de amor e ódio com os ônibus, pois aqui nascem grandes histórias minhas. E segunda passada, não foi diferente.

Na primeira grande curva do trajeto até a Barra da Tijuca meu ônibus freou bruscamente e evitou chocar-se contra a mureta que separava a pista do esgoto proveniente de todos os luxuosos condomínios da zona oeste. O que era um alento, pois dificilmente morreríamos afogados com toda aquela merda já solidificada lá embaixo.

Os adoráveis passageiros do ônibus gritaram aterrorizados, menos eu que escutava Highway To Hell naquele momento. Já bem acostumado a essas barbaridades dos motoristas cariocas não me assustei, mas diante de tantos gritos me sentir impelido a dizer algo. Tirei os fones e disse:

– Ahhhh! – mas fui um péssimo ator. A frase saiu baixa e sem dramaticidade. E me senti um idiota.

Aquela não foi a única peripécia do Seu Carlos na condução daquele ônibus. Ele ainda freou muitas e muitas vezes em cima de diversos carros e passou por cima de alguns cones no acostamento da auto estrada que liga a linha amarela a Barra. Quando desci do ônibus ele pediu desculpas, tinha perdido uma das lentes do óculos que usava.

Uma semana depois e ainda me pergunto se aqueles passageiros chegaram vivos em seus trabalhos. E Seu Carlos? Bem, ele que vá para o Inferno!

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Amor, Animais

Yann – Meu Herói

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Voltando para casa numa noite chuvosa escutei um som (que lembrava um rato) vindo de um beco perto de minha casa e sai correndo com medo. Foi injustificado; o rato não sairia correndo atrás de mim para me molestar.

Alguns metros à frente, me detive ao ouvir com certa dificuldade algo arranhar uma caixa de papelão neste mesmo beco. Voltei para verificar.. com dificuldade achei um cãozinho preto que mal sabia andar tentando o impossível para não se afogar na poça que se formara na caixa. O coração falou mais alto e o peguei no colo.

A chuva não dava uma trégua e mesmo à revelia tirei a minha camisa e enrolei no bichano e fui correndo para casa completamente ensopado.

Após secar aquela bolinha de pelos, o coloquei no chão e fiquei andando pela sala, pensando que eu faria com aquele filhote. E o pior: o que a minha mãe acharia disto tudo.

Ele realmente não sabia andar, as patas traseiras se abriam e ele ficava com a barriguinha no chão. Isso sem falar os tombos que levava sozinho tentando se equilibrar ao explorar o meu apê.

Antes de ir pra cama, dei um banho no pequeno, deixando-o cheiroso pela primeira vez na vida. No meu quarto, o acomodei no chão. Dai fiquei com peso na consciência, imaginando que poderia pisar nele e matá-lo, caso acordasse no meio da noite. Duas horas depois, estávamos dormindo no chão forrando de jornais.

Os dias passaram e o meu mascote labrador foi crescendo…

Uma bela noite acordei sem saber onde Yann estava. Procurei até embaixo da cama, mas por fim o encontrei – estava dormindo em cima do meu travesseiro – que desde então se tornou sua caminha.

Em outras noites, adormeceu sobre meu peito nu, ouvia seu pequeno coração batendo e ele dormia placidamente sob meus olhares atentos.

Logo chegou a adolescência e com ela os maus modos. Yann passou a roer os sacos de lixo e espalhá-los pelo terraço, comer minhas roupas, comer plantas na rua (e as de casa também) e a correr entre os carros durante nossos passeios – ele realmente me enlouqueceu enquanto esteve em minha vida.

Jamais o esquecerei – Yann.

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Azar, Ônibus, Reflexão

Diabinho do Ombro

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Em mais um dia vivendo como pobre, tomei um ônibus qualquer para encurtar o trajeto até a minha casa. E lá pelas tantas, decidi sentar nos fundos do ônibus com o intuito de ficar o mais longe possível de um casal que não calava a boca um minuto –  eu queria paz.

Apreciava a horrenda vista que só os bairros da Zona Norte do RJ podem nos propiciar, ao mesmo tempo em que reclamava do duro banco que estava sentado. Ao que notei na coxa direita um ponto preto que se movia. Antes que pudesse fazer algo, aquele ilustre visitante anunciou quem era. O cheiro característico tomou conta do ambiente e precisei abrir um pouco mais as janelas para que aquele cheiro pútrido de percevejo se dissipasse. Tão logo retomei o fôlego, dei um peteleco naquele pontinho preto, lançando-o ao chão. Ele (ou ela) parecia não se importar com a agressão e absorto, caminhou vagarosamente para debaixo do banco mais próximo. Passado algum tempo, outro ponto preto foi visto no meu ombro e o espantei, sem cerimônia. Porém, após ser visitado pelo quarto habitante daquela família, subitamente, me levantei com receio de estarem caindo percevejos do teto do ônibus. (Não tinha hipótese melhor.) E com medo fui sentar em outro banco. Mas não sem antes olhar se tinham bichos ali, que fique claro!

Logo, um pai e seu filho sentaram-se onde eu estava. Parte de mim quis alertá-los sobre aqueles bichinhos mal cheirosos, porém obedeci o diabinho do meu ombro, pois, se tudo desse certo eu daria boas risadas. E foi o que houve, quando outros (ou talvez, os mesmos de outrora) curiosos percevejos começaram a explorar os novos passageiros do ônibus. A criança notou primeiro, porém, não devia saber o que era o inseto. Pois, o pegou e mostrou a seu pai – que o jogou pela janela, sem alarde. Porém, sua compostura evaporou quando foi visitado por duas daquelas ‘criaturinhas’ e aos tapas se levantou. Pegou seu filho pela cintura mesmo e rapidamente se afastou dali. Eu, claro, ri por uma vida.

E opa, meu ponto tinha chegado! Na hora de descer, me desequilibrei e dei uma forte batida com o joelho no ferro do ônibus. Por algum milagre não me lancei de cara no asfalto à frente. É, de certo estava sendo punido pela má conduta com aquela família.

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Amor, Azar, Mulheres

Encontro Amoroso

why-do-dogs-lick-each-others-earsCerta vez, contei ao Otorrino sobre a dor de ouvido contraída após um encontro amoroso:

-Foi a saliva dela, não foi? – perguntou o médico.

Acredito que este é um problema conhecido por todos os homens, passamos por isso vez ou outra. Culpa da língua furiosa de nossas parceiras em nossa orelha.

E esta é minha dúvida:

Por que as mulheres cismam de enfiar a língua em nosso ouvido? Será esta carícia sensual? Será que acham excitante?

Não acho resposta plausível.

Apesar de não estarmos mais juntos, ainda lembro da Fernanda – essa dor de ouvido persistente não me deixa esquecê-la.

Meu ouvido esquerdo não é o mesmo desde então. Acho que a surdez não esperou a velhice para me visitar.

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Azar, Mulheres

O preferido

coxinha-de-frango-1Dias atrás fui presenteado com meu salgadinho preferido em uma das empresas em que trabalho: coxinha. 

Terminado meu atendimento fui pegar meu material de trabalho e num descuido derrubei o copo que abrigava a coxinha mesa abaixo. Deu nem tempo de pensar, apenas abaixei e fui catar aquele redondo salgado rolando o carpete. O medo, além de alguém pisar é claro, era o de que minha cliente achasse que agi de má fé com ela. Melissa era ainda mais viciada em coxinha de galinha do que eu. E sei que me presentou com o coração partido.

Por fim consegui pegar a coxinha no chão escondida perto de uma das mesas. Tentei fingir naturalidade enquanto espiava meus clientes detrás de um porta canetas. Bem, eu não podia ficar ali pra sempre como no último acidente que cometi.

Diferentemente da outra vez, desta vez não me despedi de ninguém. Apenas levantei munido de minha bolsa e sai por aquela porta de vidro – o que não teve muito sucesso. Afinal, encontrei a Loura retornando do almoço.

Nossos olhares se cruzaram.. e olhamos ao mesmo tempo para o copo com o salgadinho sujo que eu segurava. Ela tentou pegar dizendo que era desfeita minha não ter comido. Então num gesto sem pensar, peguei o salgadinho e mordi tendo, instantaneamente, a boca entupida por colônias de bactérias e fios de cabelos.

Apenas a esperei virar as costas para cuspir “aquilo” numa lata de lixo próxima. Infelizmente, descartei na lata de lixo destinada a plásticos e até hoje me arrependo; polui o meio ambiente.

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