Azar, Ônibus, Reflexão

Diabinho do Ombro

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Em mais um dia vivendo como pobre, tomei um ônibus qualquer para encurtar o trajeto até a minha casa. E lá pelas tantas, decidi sentar nos fundos do ônibus com o intuito de ficar o mais longe possível de um casal que não calava a boca um minuto –  eu queria paz.

Apreciava a horrenda vista que só os bairros da Zona Norte do RJ podem nos propiciar, ao mesmo tempo em que reclamava do duro banco que estava sentado. Ao que notei na coxa direita um ponto preto que se movia. Antes que pudesse fazer algo, aquele ilustre visitante anunciou quem era. O cheiro característico tomou conta do ambiente e precisei abrir um pouco mais as janelas para que aquele cheiro pútrido de percevejo se dissipasse. Tão logo retomei o fôlego, dei um peteleco naquele pontinho preto, lançando-o ao chão. Ele (ou ela) parecia não se importar com a agressão e absorto, caminhou vagarosamente para debaixo do banco mais próximo. Passado algum tempo, outro ponto preto foi visto no meu ombro e o espantei, sem cerimônia. Porém, após ser visitado pelo quarto habitante daquela família, subitamente, me levantei com receio de estarem caindo percevejos do teto do ônibus. (Não tinha hipótese melhor.) E com medo fui sentar em outro banco. Mas não sem antes olhar se tinham bichos ali, que fique claro!

Logo, um pai e seu filho sentaram-se onde eu estava. Parte de mim quis alertá-los sobre aqueles bichinhos mal cheirosos, porém obedeci o diabinho do meu ombro, pois, se tudo desse certo eu daria boas risadas. E foi o que houve, quando outros (ou talvez, os mesmos de outrora) curiosos percevejos começaram a explorar os novos passageiros do ônibus. A criança notou primeiro, porém, não devia saber o que era o inseto. Pois, o pegou e mostrou a seu pai – que o jogou pela janela, sem alarde. Porém, sua compostura evaporou quando foi visitado por duas daquelas ‘criaturinhas’ e aos tapas se levantou. Pegou seu filho pela cintura mesmo e rapidamente se afastou dali. Eu, claro, ri por uma vida.

E opa, meu ponto tinha chegado! Na hora de descer, me desequilibrei e dei uma forte batida com o joelho no ferro do ônibus. Por algum milagre não me lancei de cara no asfalto à frente. É, de certo estava sendo punido pela má conduta com aquela família.

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