Animais, Azar

Festa na Vizinhança

Crowd of young boys and girls dancing at disco

Às 3 da manhã desta terça fui por o lixo pra fora – um horário absolutamente normal para quem tem insônia.

As ruas desertas conferiram um clima tétrico a meu bairro – o que fez gelar minha espinha. Mas vá lá.. eu tinha que fazer aquilo. Carregava com dificuldade aquele pesado saco de lixo da família Lopes e ao me aproximar daquela enorme montanha de detritos, escutei passos apressados e, de súbito, olhei logo em volta. E eram.. ratos pertencentes a uma ou várias famílias (não pude contar ao certo)

Na verdade, “rato” é uma palavra pequena para descrever aqueles roedores, pois, eram ratazanas enormes. Puxei uma força do inferno para lançar meu saco de lixo para seus pares e saí correndo. No caminho de volta para casa ainda cruzei com um deles e nos  encaramos durante algum tempo. Todavia, assustados decidimos ir embora: o Rio de Janeiro anda muito perigoso.

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Azar, Mulheres, Natureza

Nadador Nato

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Num dos passeios que fiz com a família de uma namorada, decidi mostrar meus dotes como nadador na Praia do Forte, em Cabo Frio. Avistei uma pequena ilha ao longe e decidi que nadaria até lá, pegaria uma flor e entregaria a Michele.

Mas é aquela história: A gente sempre acha que vai conseguir muito mais do que geralmente consegue… E logo notei que aquela promessa era tão vazia quanto “trabalhar arduamente para ficar rico”. Claro, na metade do caminho lá estava eu boiando para retomar o fôlego. Ainda descansava quando avistei amáveis águas vivas ao meu redor, tão numerosas quanto camelôs no Centro do Rio.

Foi ai que entendi porque apenas EU estava na água naquela manhã. De certo, ignorei aquela plaquinha lá longe fincada na areia alertando sobre o perigo iminente.

Olhei para a areia e lá estava a minha ex toda orgulhosa, batendo palminha e me mostrando para a família. Seu tio Rogério até assobiava, admirado com o meu feito. E eu com aquele grito preso na garganta: “Socorro, cara*** me tira daqui!” Mas tinha que dar uma de homenzinho e seguir para a ilha ou voltar para a areia.

Minhas amiguinhas transparentes se aproximavam, curiosas sobre aquele visitante magrelo. Algumas tocaram minhas costas e outras minhas pernas demonstrando que eu não era bem vindo ali. E aquela sensação de queimação foi o combustível extra que faltava para nadar de volta, tão rápido quanto o Michael Phelps. Ainda levei um baita “caixote” quando me aproximava da praia e entrou areia em locais que não convém falar nesse momento. De sorriso no rosto e peitoral ralado, inventei uma desculpa qualquer por ter voltado de mãos vazias.

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Ônibus, Reflexão

Feitiço contra Feiticeiro

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Às vezes nosso dia é pautado por situações improváveis, o que torna tudo ainda mais memorável. E para um assalariado como eu, um desses momentos ocorreu quando um passageiro conseguiu superar ( e de longe o lado comunicativo inerente a todo trocador de ônibus). Ocorreu numa dessas noites quentes, em que seguia da Linha Amarela até a Barra da Tijuca aqui no RJ.
 
Me recordo que antes mesmo de pôr o fone de ouvido, acompanhei trechos de um debate sobre as mazelas de nossa cidade entre aqueles dois que pareciam velhos conhecidos. Apesar do volume alto da meu celular, podia entender o que aqueles dois conversavam. Entretanto, após algum tempo percebi o cobrador interagindo menos com aquele sujeito moreno e falante, sentado próximo. O homem de cabeça branca também desviava os olhares para o longe, de certo, imaginando que aquilo faria aquele ilustre desconhecido calar a boca, mas de nada adiantava. O homem gesticulava muito, assim como um pai lê com ênfase alguma história infantil aos filhos. Mas aquilo já tinha virado um monólogo – que é tudo o que algumas pessoas precisam. Então, o homem mudou de assunto e começou a falar sobre o aquecimento global e questionou aquele pobre homem (que não podia levantar-se dali) se na época de menino o calor era tão forte como nos tempos atuais. E li pelos lábios um murmurio: “Não meu filho”.
 
O Mestre da Conversação não se deu por vencido nem mesmo quando passamos pelos três túneis que nos levariam até a Barra. O ônibus que caiu na completa escuridão estaria silencioso também, se não fosse pelo empenho daquele jovem homem que não devia conversar com ninguém há meses. E do banco em que eu estava, era possível perceber o trocador pendendo para um dos lados, provavelmente cochilando.. durante as passagens pelos túneis. Ele já tinha trabalhado o dia inteiro, era totalmente compreensível.
 
Dali dois pontos, nosso amigo falante amigo desceu, ao que o cobrador (maneta) acenou, despedindo-se. Certamente, foi uma noite inesquecível para todos nós. Incluindo aquele cobrador.. que pensará 10x antes de puxar assunto com alguém novamente.
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Humor, Infância

História Infantil

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Todo papai passa pela fase de levar o filhote ao banheiro de algum shopping center. Aqueles banheiros enormes, maiores do que a sua casa inteira e com aquelas fileiras de mictórios a perder de vista. E certa vez, acompanhei a cena de um pai levando o filhote para urinar. Deixou o filho no mictório infantil e ficou no seu, de adulto. O menino fez seu xixi esperto e ficou olhando para frente, como se estivesse intrigado com algo. Não tardou para que pegasse a pedra desinfetante e perguntasse ao pai o que era aquilo – enquanto sacudia a mão.

Criou-se um vácuo ao redor do menino. De certo, ninguém queria ser atingido por respingos de urinas de desconhecidos.

-Filho põe já isso aí! – foi a última frase que ouvi antes de sair do banheiro.

E a criança, é claro, chorou e esperneou por ter ficado sem aquele brinquedinho. Me divirto quando lembro daquelas mãozinhas ‘azulzinhas’!

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Reflexão

Puramente indignado 

Eu gosto de suco de laranja “de caixinha”. E gosto muito.

Porém, percebo uma coisa nos mercados brasileiros: Raramente tem suco deste sabor para vender. Você encontra suco até de graviola e “frutas campestres”, mas não encontra o raio do sabor laranja pra vender.

E isso é óbvio; é o sabor preferido dentre todos. Só me pergunto por que diabos os donos dos mercados não compram A MAIS pra não faltar. Porra, os outros sabores permanecem até a validade expirar, mas o suco de sabor laranja está SEMPRE em falta.

Não entendo (e nunca entenderei) o que se passa na cabeça de quem gerencia esses estabelecimentos, honestamente.

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Animais, Azar, Mulheres

Cão que Ladra, morde SIM

22-photos-of-beagle-puppies-that-will-make-your-heart-stop-with-cuteness-beagle-puppy-runningCerta vez, uma namorada me ligou: “Meus pais não estão em casa, vem cá.” Antes que o telefone caísse no chão, eu já estava na rua, à caminho do ponto de ônibus mais próximo.

Lembro que minha ex era super preocupada com tudo (leia-se seus vizinhos fofoqueiros) e bolamos um código: antes de tocar a campainha, eu deveria jogar antes duas pedras no seu quintal para que ela checasse se a barra estava limpa. E tão logo o fiz, ela abriu o portão. De banho tomado e super cheirosa, me recepcionou com um abraço e um beijo bem demorado. Isso causou enormes ciúmes em Nina (uma fêmea de cinco anos da raça Pastor Alemão) – que me presenteou com dolorosas mordidas no calcanhar direito. Êta cadela enjoada, nunca gostei dela… E eu tentando me livrar dela, empurrando-a pro lado sem Michele perceber. Por fim, o bichano soltou e adentramos a casa.

Depois de fazermos amor no quarto, a bela morena foi fazer algo que agora não me recordo e eu fui para a sala, peladão mesmo, assistir TV. Naquela tarde, fazia frio e temendo um possível resfriado fui me aquecer. Levantei e enquanto vestia minha camisa, ouvi aquela respiração característica que os cães fazem quando estão correndo. E não sei que me deu na cabeça que eu pulei pra trás, caindo de bunda no sofá. Era a Nina vindo com tudo atrás da minha salsicha. Agi tão rápido que para vocês terem ideia do quão próximo ela estava, seu focinho gelado bateu na minha virilha. Não preciso dizer o quanto estava aliviado e assustado com tudo aquilo!

Por pouco, muito pouco não fui capado… E eu claro, briguei com Michele por ter deixado a porta da sala entreaberta.

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Sol e Praia

Você acorda animado(a).. com o lindo dia lá fora. Já evita sentar na frente da TV para não perder um minuto do seu feriado. Decide ir à praia, aproveitar o Sol, celebrar a vida. Mas o dia já começa com fila no banheiro, afinal, você não mora sozinho.

A fila no mercado é velha conhecida. E você puxa paciência do INFERNO para comprar o pãozinho do café da manhã.

Para entrar no ônibus você enfrenta uma fila a perder de vista. Afinal, nesta quente manhã todos os moradores do bairro também tiveram a mesma ideia que você: Curtir o sol e celebrar a vida de frente pro mar.

Sob o sol escaldante você encontra, a duras penas, um local vazio nas areias de Ipanema. Mas a sede aparece e de longe você avista todos os quiosques do calçadão com filas intermináveis.

Sua manhã já não está tão feliz quanto pensaria que fosse. E o protetor que joga nas costas está quente, pois você esqueceu dele ao sol quando foi comprar água de coco.

Parece que é só levantarmos a bunda do sofá para nos divertirmos que todo HUMANO tem a mesma ideia que nós. E como se não bastasse, todos saem de casa ao mesmo tempo que você.

É bom ressaltar, que todas essas pessoas cronometram seus horários de saída da praia. E voltam todos juntinhos.. cheios de areia pelo corpo no mesmo ônibus que os trouxe.

Depois as pessoas me perguntam porque vivo branquelo.. como se nunca fosse a praia.. Por que será, né?

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