Azar, Infância

Cinzas Mágicas

Redemption

Na minha pré adolescência, eu era viciado em num videogame chamado Playstation. Minha família era bastante pobre e, logicamente, nunca tive dinheiro pra comprar um. Por sorte, um amigo de família abastada também era fã e jogávamos até tarde da noite.

O Plínio era um bom sujeito e sempre deixava eu jogar após arrumar e varrer seu quarto. Confesso também que adorava quando tinha que arrumar sua coleção extensa de revistas em quadrinhos, viajava nesses momentos…

Como recompensa, meu amigo deixava eu comer os pacotes de biscoito que achasse pelo seu quarto. E sempre tinha um e outro perdido embaixo da cama.

E numa dessas arrumações, encontrei uma caixinha de metal bastante suja. Assoprei aquela poeira e joguei o conteúdo no chão, varrendo com o resto do lixo.

Enquanto varria o lixo para a pá, meu amigo retornou ao quarto e comentei com ele sobre aquela misteriosa caixinha:

– Seu maluco eram as cinzas da minha avó – assustou-se, Plinio.
– Mentira! – respondi, consciente de que tinha feito merda.

Imediatamente me abaixei e sai catando aquele punhado de “terra”. Difícil mesmo foi diferenciar a poeira do que eram os restos mortais da falecida avó. Bem, nunca saberei ao certo quantos % de sua querida vovó foi ao lixo por engano naquela tarde.

 

 

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