Azar, Mulheres

Noite Romântica

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Numa de minhas viagens à São Paulo dormi na casa de uma namorada. Foi um gostoso reencontro após tantas semanas longe um do outro.

Atendendo a pedidos, dividi minha cama. Porém, para a minha tristeza, Camila logo adormeceu e eu segui desperto, deitado de conchinha naquela cama. Minha amante, chamada Insônia não me abandonara e dividimos os três aquela cama de solteiro.

Minha companhia interrompeu meus pensamentos ao dar um longo suspiro. Eu sorri achando que ela tinha acordado e quando ia tecer um comentário ela jogou os braços para trás, acertando em cheio minha cara com seus punhos.

De certo, desacostumada a dormir acompanhada: ela tinha esquecido que eu estava ali.

Comecei a lacrimejar após receber aquele golpe no nariz. Meu braço esquerdo estava dormente e permaneceu inerte embaixo do meu travesseiro. Coube ao direito vir à meu socorro e minha mão tocou minha face.

E a Loira? Bem, ela nem acordou. Apenas permaneceu com os braços naquela posição – o que me fez pensar como alguém conseguia dormir daquele jeito.

Foi uma noite romântica, no entanto.

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Azar, Humor

O Saboroso

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Desde pequeno me sinto diferente das outras pessoas, mais especial, eu diria. E os pernilongos corroboram esta tese, pois meu sangue é saborosíssimo para eles. Pode parecer história de pescador, uma lenda tão fantástica quanto a do Papai Noel, mas depois que matei vinte seis pernilongos afoitos à noite em meu quarto, passei a me considerar um predestinado. E este fato sempre me perturbou..

Por que sempre sou o escolhido??
Por que tanto me querem??

Dúvidas à parte, acordar a noite e assistir meus amigos em sonos profundos e tranquilos se tornou algo comum em minha vida. E desejava sim.. de todo meu coração que meus amigos se tornassem as vítimas – rogava esta infrutífera praga enquanto me cobria dos pés a cabeça.

Sete anos depois fui agraciado com a notícia de que pernilongos tinham preferência por tipo sanguíneo O.

E com esta notícia decidi não acampar mais, não me hospedar em fazendas ou mesmo locais com grande concentração de insetos adoradores de sangue O negativo. Eu posso não voltar vivo.

 

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Reflexão

Fábrica de louças de barro

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Pouca gente sabe, mas o nome do meu bairro em inglês significa Fábrica de louças de barro. Porém, não há nenhuma fábrica do tipo por aqui. Neste caso a atração principal fica por conta da velha linha férrea que corta o bairro onde coelhos dividem o espaço com mendigos.

O morador mais antigo do meu bairro é a “pretinha” – uma cadela que mora ao lado da cabine policial na praça principal. Ela tem até uma casinha construída especialmente para ela! Quando nossos valorosos policiais não ficam na cabine lendo jornal, atiram suas armas ao longe e a obediente cadelinha vai lá buscar. É um divertido passatempo.

De resto, temos um grande supermercado aqui e um de meus melhores amigos trabalhou lá. Sua função era matar os ratos que moravam no estoque. Por vezes, o via correndo em meio aos clientes com uma vassoura na mão. Era divertido.

Bem, o jeito é voltar a fabricar louça de barro!

 

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Azar, Infância

Cinzas Mágicas

Redemption

Na minha pré adolescência, eu era viciado em num videogame chamado Playstation. Minha família era bastante pobre e, logicamente, nunca tive dinheiro pra comprar um. Por sorte, um amigo de família abastada também era fã e jogávamos até tarde da noite.

O Plínio era um bom sujeito e sempre deixava eu jogar após arrumar e varrer seu quarto. Confesso também que adorava quando tinha que arrumar sua coleção extensa de revistas em quadrinhos, viajava nesses momentos…

Como recompensa, meu amigo deixava eu comer os pacotes de biscoito que achasse pelo seu quarto. E sempre tinha um e outro perdido embaixo da cama.

E numa dessas arrumações, encontrei uma caixinha de metal bastante suja. Assoprei aquela poeira e joguei o conteúdo no chão, varrendo com o resto do lixo.

Enquanto varria o lixo para a pá, meu amigo retornou ao quarto e comentei com ele sobre aquela misteriosa caixinha:

– Seu maluco eram as cinzas da minha avó – assustou-se, Plinio.
– Mentira! – respondi, consciente de que tinha feito merda.

Imediatamente me abaixei e sai catando aquele punhado de “terra”. Difícil mesmo foi diferenciar a poeira do que eram os restos mortais da falecida avó. Bem, nunca saberei ao certo quantos % de sua querida vovó foi ao lixo por engano naquela tarde.

 

 

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