Azar, Reflexão

Chá de Sumiço

keys20and20house20prChaves.. Estes pequenos objetos que vivem se perdendo todo o tempo. E cismam de sumir justamente quando estamos atrasados, já perceberam?

Para os não-crentes é o momento certo para lembrar todos os deuses que já passaram em sua vida, rezando para todos, só pra aumentar o êxito na busca.

Não dando certo, vou para o segundo passo:
Respiro fundo.. fecho os olhos e tento refazer meus passos mentalmente, mas minha memória é de passarinho e eu esqueço das coisas com uma facilidade ímpar.

Já me peguei imaginando se algum espírito malévolo rouba minhas chaves quando estou dormindo e as muda de lugar. Lanço mão de promessas e fico anunciando pela casa: “Serei um bom menino”, “Não xingarei mais” e completo: “Agora me dá já essas chaves!” – já irritado.

Da irritação é fácil saber o que acontece.. Um tsunami em casa. Saio revirando tudo em busca das benditas chaves – este é o terceiro passo.

Eu já pulei da janela de casa e já escalei meu prédio nos dias mais críticos – sou o homem aranha do subúrbio. Mas, fica o receio de ser preso pela polícia e aparecer no Jornal Nacional.

Para 2015 planejo fazer 5 cópias de minhas chaves e amarrá-las ao meu pescoço

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Azar

R.E.M.

feeling-sadHoje numa das numerosas vezes que acordei (eu não completo o sono R.E.M há anos) fui à cozinha naquela completa escuridão. Nada de confiar nos meus instintos eu não queria mesmo era despertar por completo.

Lembrava o cão da minha irmã – o velho – mantinha apenas um dos olhos fechados e arrastava minhas pernas. Na minha cabeça quanto mais eu agisse normalmente como se já estivesse acordado, mais minha mente interpretaria aquilo como um sinal pra despertar de vez.

Alcancei a pia e ao esticar a mão para pegar um dos copos esbarrei em outro sujo – que se espatifou no chão. É… Não tinha mais porque agir feito um zumbi. Coloquei a língua dentro da boca e abri os olhos assim que a pá recolheu os caquinhos do que um já foi um copo de requeijão.

E não adianta, copo e prato quando cai no chão nunca se quebra em dez pedaços é sempre de trinta pra cima. Então por longos minutos cacei pela cozinha escura o raio dos caquinhos.

Agora contando sobre, tenho certeza que algum caquinho de vidro está lá até agora escondido embaixo do fogão ou da geladeira. Tarefa pra a irmã mais nova!

Não tardou pra ouvir ao fundo sons de ônibus, logo percebi que dali a pouco eu teria de trabalhar. Apesar de tudo ainda estava torpe de sono e pela primeira vez em anos eu não xinguei. De certo, porque não lembrava os palavrões. Aliás, nem mesmo o nosso idioma eu lembrava. Quieto estava, quieto continuei.

Sai correndo pra cama na vã esperança de dormir mais dez ou quinze minutos. Porém, mal me deitei e meu despertador tocou.

A dificuldade em não lembrar dos palavrões sumiu naquele exato momento.

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Reflexão

Mágica do Esquecimento

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O fogão aqui de casa tem seis bocas. É um fogão elétrico já bem gasto pelo uso, mas que ainda funciona. E eu até hoje não gravei qual botão girar para acender a boca que eu quero.

Dai toda vez é aquele ritual, acendendo uma por uma até eu conseguir. As vezes minha mãe o limpa e o fogão acaba não acendendo. Misteriosamente, só consigo na minha última tentativa – aquela que você já está desistindo, sabe? “Se essa po*** não acender agora eu vou sair com fome!”

E nesta manhã não foi diferente… 

Eu acho que tenho perda de memória ultra recente, só pode. To pensando em fazer setinhas com tinta preta em cima do fogão.

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Humor, Mercado

Vovô Gatuno

thief1“Alguém roubou o cacho de bananas que pus no carrinho!” – pensei, enquanto procurava algum suspeito no mercado. Frustrado com o fracasso da tentativa, dei de ombros e fui comprar outras coisas.

Lá pelas tantas, estava comprando biscoito quando avistei o tal cacho no carrinho de um vovô que lembrava o senhor Fredericksen, do “Up Altas Aventuras”.

Larguei o biscoito para trás e me lancei em mais uma pequena aventura para resgatar a fruta. Me aproximei diversas vezes, mas mercado cheio.. sempre alguém perto poderia notar o que eu faria.

Aquilo já tinha virado pessoal, na boa. Encontrei um conhecido no mercado que dispensei rapidamente, mas foi o suficiente para o bom velhinho se afastar. Entrei no mesmo corredor que ele, mas encontrei ao menos duas dezenas de velhinhos naquele corredor.

E já perceberam como eles são todos parecidinhos??

Bem, dei adeus para sempre aquele cacho amarelinho.
Aquele velhinho GATUNO se safou!

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Azar, Infância

Criança Terrível

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Desde novo, eu sempre aprontei o que me rendeu muitas cicatrizes e ossos quebrados.

E numa dessas vezes, quebrei o braço direito e o engessei por inteiro, creio que tinha uns quartoze anos aquela época. Passei um longo e tedioso período em casa, não podia sair, não podia brincar, enfim tinha que “sossegar o facho”, como dizia a minha mãe.

Só que criança não para quieta e sozinho descobri como tirar meu braço do gesso. E foi uma alegria só. Pulava, brincava.. e antes que minha mãe chegasse em casa, eu o colocava de volta e fingia ser um bom menino.

Eu ainda teria ficado mais tempo com o gesso só pra continuar sendo paparicado por todos da família, mas logo voltei ao médico e tirei aquele trambolho do meu braço. Diante das radiografias o médico me perguntou se tinha feito algo diferente nas últimas semanas e diante dos olhares severos de minha mãe, revelei ter tirado o braço do gesso “uma ou duas vezes”. Ele pensou um pouco e naquela serenidade toda mandou que eu olhasse alguns quadros que estavam pendurados na parede, ao meu lado esquerdo. Obedeci e quando estava distraído ele deu uma martelada no meu braço partindo de novo o osso mal calcificado. Só não posso mensurar a dor porque fazem muitos anos, mas lembro que chorei por uma vida inteira.

Ao final da consulta não foi preciso que prometesse manter o braço quieto dentro do gesso. E antes de ir embora, o Dr. Renato me deu um pirulito.

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Humor, Reflexão

Obsoleto

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Eu tenho algo sobre mim que quase ninguém desconfia: eu afasto as pessoas. Elas tem medo de mim, deve ser o meu semblante, pois provoco repulsa.

Pensei nisto esta tarde em um restaurante, próximo ao trabalho, onde mais uma vez, almocei sozinho. Ninguém sentou do meu lado! Era curioso observar ao redor TODAS as outras cadeiras ocupadas menos a do meu lado. Envergonhado levantei um dos braços, mas não notei nenhum odor ruim nas axilas.

No metrô e no cinema é a mesma coisa, parece que o lugar ao meu lado SEMPRE está ocupado. É um dom meu, creio.

Já conformado passei a me gabar por ser assim, anuncio aos 7 ventos que nunca fui assaltado. Fico esparramado em qualquer banco; seja de shopping, pracinha ou em barzinho. Vez por outra me alongo e fico rindo sozinho sem medo de incomodar ninguém.

Mas alegria de rico dura muito, já diz o ditado. E hoje no trabalho um cliente me confidenciou o mesmo, ninguém sentava ao seu lado em locais públicos.. Irritado por dividir meu posto de “Garoto Repulsa” com outra pessoa percebi que aquele senso de inferioridade me abandonara e fiquei triste.

Como se não bastasse, passei a atrair as pessoas, me sinto querido, benquisto. As pessoas se aproximam de mim agora, puxam assunto.. me tornei comum e obsoleto! 

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Humor, Mulheres

Aedes Aegypti

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Entra ano, sai ano os Caçadores de Aedes aegypti nos visitam. Não para saber como você está ou como vai a família e sim para impedir que criemos estes doces mosquitinhos.

E numa dessas visitinhas… Eu estava em meu dia de folga, dormindo até mais tarde.

A caçula da família já acordada, acompanhava a Agente pela casa. E na hora de ir embora a funcionária se confundiu no corredor principal da casa e acabou entrando em meu quarto.

Eu dormia nu, placidamente.

Mais tarde, minha irmã me contou da reação da Caçadora ao perceber que acabara de me flagrar por engano como vim ao mundo:

– Ai meu Deus, Ai meu Deus, Ai meu Deus – levando as mãos ao rosto e a boca.

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