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Missão Impossível

wire-cutters-2-splashHoje encarei a tortuosa missão de chegar ao final da Estrada dos Bandeirantes vivo.

Era dia de minha visita mensal a sede da minha empresa. Isso tudo embaixo daquele solzinho gostoso que todo carioca já conhece desde pequenininho. O ônibus que já estava lotado, piorou, ainda mais quando animados passageiros subiram na Cidade de Deus.

O lado bom do ônibus cheio é o aumento instantâneo do seu círculo de amizades, afinal, em segundos você já fica íntimo do colega ao lado. É uma dessas raras situações da vida em você não se desculpa por encaixar-se confortavelmente atrás de desconhecidos (e nem eles atrás de você.) Assim como na prisão, você faz amizades em segundos.

Acostumado a esses maravilhosos momentos a que todo suburbano é obrigado a encarar, saquei meu mp4 da mochila e fiquei ouvindo hip hop. Um casal de namorados permaneceu ‘encoxando’ cada perna minha e batiam papo como se eu não existisse entre os dois. Por sorte, TechN9ne realizava um trabalho e tanto me isolando daquela balbúrdia. Por vezes, tentei adivinhar o que aqueles dois diziam e formulava diálogos engraçadíssimos em minha cabeça, rindo sozinho em seguida. Felizmente, antes que minhas pernas ficassem mais dormentes, eles se afastaram. Finalmente aquela orgia terminara e os passageiros desciam do ônibus – bem, ao menos isso eu pensava.

Olhei pra trás e avistei um corredor bem delineado, aquele mar de corpos se abriu para a passagem de um branquelo suado. Não se fez de rogado e enquanto passava por nós agradecia ao motorista por tê-lo esperado em sua corrida até o ônibus. Logo senti um braço inteiro suado roçar minhas costas, foi como ser chicoteado por talibãs. De súbito, arqueei as costas e levantei os braços acertando a namoradinha do rapaz. Ouvi um som oco assim que meu cotovelo acertou sua testa. Lembro-me de tê-la visto ranger os dentes de imediato e massagear a área, como uma criança. O namorado nada fez, acho que nem viu.

Somente tive paz quando todo aquele povo de currículo na mão desceu no PROJAC – estava no Paraíso.

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